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Na Igreja, as mulheres não têm reconhecimento

Na Igreja, as mulheres não têm reconhecimento
1 de agosto de 2017 Centro de Estudos Bíblicos
Em número cada vez maior como funcionárias de paróquias, capelanias e serviços diocesanos, as mulheres ainda são pouco presentes nos cargos onde são tomadas decisões importantes.

Virgens ou mães?“. Este foi o provocativo título de um ensaio publicado em 2007 e assinado por Camille de Villeneuve, jovem normalista (1). Um título que resume perfeitamente o paradoxo contra o qual esbarram os leitores dos documentos e dos discursos do Magistério católico e os observadores da vida eclesiástica. De fato, entre a mulher “temida” e a mulher “idealizada”, os gestos e os discursos eclesiais deixam pouco espaço para a mulher “real”. As mulheres reais, casadas ou solteiras, leigas ou consagradas, são aqueles que mantêm a vida da Igreja no dia-a-dia e que não são encontradas no discurso magisterial sobre “a” mulher.

Uma igualdade na dignidade, mas não na função

Claro, a Carta Apostólica de João Paulo II Mulierisi dignitatem (1988) confirmou que as mulheres têm a mesma dignidade que os homens. Mas o raciocínio do papa polonês, fiel nisto com a tradição católica, baseava-se na afirmação que a diferença entre os dois sexos não os tornava iguais na função. Tal linha de pensamento não é mais concebível hoje, tanto é evidente, pelo menos nas sociedades ocidentais, que homens e mulheres podem assumir as mesmas funções. Assim, é fácil detectar situações na Igreja que parecem contradizer o seu pensamento sobre as mulheres.

Estas últimas são majoritárias entre os católicos praticantes e entre os voluntários e funcionários da Igreja, tanto nas paróquias e nas diversas capelanias (hospitais, escolas, prisões) como nos serviços diocesanos (especialmente para a comunicação, a catequese e o catecumenato, a pastoral familiar, enquanto os cargos de diretor diocesano para o ensino católico e de tesoureiro diocesano continuam em cerca 85% masculinos).

Na França, as mulheres representam cerca 80% dos leigos na missão (LEM) enviados pelos bispos, e desempenham a maior parte do trabalho pastoral (levantamento de La Croix de 2012). Mais de um terço das dioceses francesas inclui mulheres no Conselho Episcopal (levantamento de La Croix de 2015).

Mulheres na Teologia

Também são cada vez mais numerosas as mulheres graduadas em teologia, e aqueles que ensinam nos seminários (hoje, entre os professores de teologia de cinco institutos católicos franceses, um terço são mulheres) ou que recebem reconhecimento de seus pares – por exemplo, Anne-Marie Pelletier recebeu em novembro de 2014, das mãos do Papa Francisco, o prêmio Ratzinger, o “Nobel da teologia”, por seus estudos sobre as mulheres no cristianismo.

Reconhecimento e gênero

Além disso, a questão do posto da mulher na Igreja volta como uma reivindicação recorrente, especialmente entre os católicos ocidentais. Porque os mal-entendidos continuam sendo profundos e nada foi feito para reconhecer e valorizar as responsabilidades das mulheres. Basta considerar as grandes manifestações católicas – as exéquias de João Paulo II, os sínodos romanos, as assembleias episcopais – para constatar que o “segundo sexo” continua totalmente ausente.

As mulheres com um alto nível de educação são cada vez mais numerosas nos conselhos diocesanos, mas elas nem sempre são levadas em consideração na tomada de decisões, visto que o governo da instituição permanece prioritariamente atribuído aos ministros ordenados.

“Ainda há muito a ser feito, começando com dar mais espaço à palavra das mulheres, acredita Anne-Marie Pelletier. De fato, homens e mulheres não vivem a fé da mesma maneira”.

Em sua opinião, embora seja única a vocação, ou seja, o viver plenamente a fidelidade a Cristo, tal vocação poderia perfeitamente ter “diferentes acentos quando pensada pelo viés masculino ou feminino”.

De acordo com a teóloga leiga Marie-Jo Thiel, professora da Universidade Marc-Bloch de Estrasburgo, diretora do Centro Europeu de ensino e pesquisa ética, alguns homens da Igreja sempre tiveram “forte resistência em considerar as mulheres com um grau de formação elevado. Preferem relegar as mulheres a papéis tradicionais”.

A teóloga recorda precisamente que não deveria ser assim, tanto na Igreja como no mundo, uma vez que “o batismo é aquilo em que se funda a igualdade entre o homem e a mulher com papéis diferenciados”.(1)

Vierges ou mères. Quelles femmes veut l’Église?“, Ed. Philippe Rey, 2007.

Fonte: Reportagem de Claire Lesegretain, publicado por La Croix,  08/03/2017. A tradução é de Luisa Rabolini. Divulgado no site do Instituto Humanitas.