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Federico Pagura – 93 anos de um sonho pela paz latinoamericana

Federico Pagura – 93 anos de um sonho pela paz latinoamericana
1 de agosto de 2016 Centro de Estudos Bíblicos
Federico Pagura - 93 anos de um sonho pela paz latinoamericana
No dia 06 de junho deste ano, a Igreja Metodista na Argentina anunciava, com pesar, o falecimento de Federico Pagura. O Bispo Emérito estava com 93 anos, e havia adoecido dias antes de sua partida. Pagura teve uma caminhada de ativismo ecumênico e social pelos direitos humanos, e também uma história de luta, mas a luta pelo sonho de paz para os povos latino-americanos e caribenhos.
Confira em seguida a nota da IM da Argentina na íntegra.
Lamentamos comunicar o falecimento do nosso irmão, o Bispo Emérito Federico Pagura.
Este fim de semana, Dom Pagura (93 anos) adoeceu na cidade de Rosário onde vivia. Nas redes sociais se multiplicaram os pedidos de oração por sua saúde. Hoje, no meio do dia, tomamos conhecimento de seu falecimento.
Pagura nasceu em 09 de fevereiro de 1923 em Arroyo Seco, Santa Fé (Argentina). Ele concluiu seu mestrado, e logo depois de ser licenciado em teologia, foi ordenado pastor da Igreja Evangélica Metodista na Argentina (IEMA), em 1950.
Realizou estudos de pós-graduação na Union Theological Seminary, de Nova York entre 1948 e 1949, e na Escola Teológica de Claremont, Califórnia. Ambas as instituições ecumênicas o influenciaram no que Pagura chama de "sua afirmação e vocação ecumênica, que é característica de todo seu ministério".
Sua esposa Rita, com quem teve dois filhos, foi sua secretária e encarregada de relações públicas. Com pai Basco-Espanhol e mãe Valdense, acompanhou seu ministério e sua vida de tal modo, que Federico Pagura sempre falava no plural ao mencionar seu ministério: "Estávamos predestinados ao ecumenismo".
Exerceu seu ministério na Costa Rica e Panamá, e foi eleito Bispo, a máxima autoridade da IEMA, em 1977. Foi uma voz inestimável que denunciou e atuou contra a última ditadura militar no país, e um dos integrantes da comissão nacional que investigou os desaparecimentos de pessoas ocorridos durante a Ditadura. O movimento Ecumênico pelos Direitos Humanos da Argentina foi outro dos espaços onde exerceu seu compromisso.
Como Bispo, atuou durante doze anos. Já emérito, se estabeleceu em Rosário, onde o Conselho Deliberante o declarou cidadão ilustre. Um livro com o selo da CLAI reflete sua biografia.
Foi figura relevante do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), e do Conselho Latino-americano de Igrejas (CLAI). Pagura foi nomeado Doutor Honoris Causa pela Universidade de Toronto, Canadá, em humanidade, e pela Universidade de Paul, Indiana, em divindades. Recebeu também o Prêmio Mauricio López, pelo Conselho Nacional de Igrejas nos EUA em 1997.
O trabalho musical de Pagura é extenso. Atribui-se a ele o "Primeiro Tango Evangélico", chamado "La Marsellesa Evangélica", com o título "Tenemos esperanza".
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                 Ouça a música composta por Pagura
 
 
"Não tenho medo da morte, mas sim de uma vida sem sentido”
Federico Pagura
Acompanhe trechos de uma entrevista com o Bispo Pagura traduzida pelo CEBI. Veja o material na íntegra nas referências.
 
Você escreveu hinos, tangos e livros, sempre com um denominador comum: a esperança.
FP- Não me propus a escrever sobre algo em particular, mas me surgiu isso. Estive nos tempos difíceis na Argentina, fui perseguido, tive denúncias e sofri ameaças. Também conheci situações mais duras na América Central, mas em todas elas me aparecia uma palavra profética de esperança: não desmaiem, tenham ânimo, há força. Recordo que quando estive na Nicarágua, em pleno trinfo da Revolução Sandinista, aparecia o presidente Daniel Ortega e propunha: “Cantemos o hino Pagura”. Era uma maneira de dizer que havia esperança. Dentre meus tangos, o mais exitoso que foi traduzido para uma grade quantidade de idiomas e tem chegado a todo o mundo é, precisamente, “Tenemos esperanza”.

Existem boas formas de morrer?
FP- Se pudesse eleger, gostaria de uma morte plácida.

Não me referia a sua morte, pretendia ser uma pergunta genérica.
FP- Quando se conhece a fé cristã, qualquer forma de morrer pode ser boa. Assim, também qualquer morte pode ser uma tragédia irreparável sem a esperança que Jesus trouxe ao mundo. Uma vez se disse que a morte é o fim de um caminho e um tempo de libertação, especialmente para aquelas pessoas que tem que vivenciar coisas muito difíceis por razões físicas, solidão, perseguição ou violência. Para muitos é uma libertação.  Mas não encontro uma justificativa para adentrar a morte ou escapar da vida através do suicídio. Apesar de não fazer julgamento dos suicidas, pois somente Deus pode julgar e conhecer uma pessoa em sua interioridade mais profunda.

Também escreveu sobre a morte.
FP- Sobre a esperança na morte. Escrevo que não tenho medo da morte, mas sim de ter uma vida inútil, uma vida estéril, uma vida que prejudica aos demais. Essa sim que é a morte.

Então você pode viver tranquilo…
FP- Eu aprendi isso jovem. Não tenho medo da morte senão de uma vida sem sentido.

O que pensa do aborto?
FP- É um tema candente e um debate inevitável. Vale a pena estudar o tema a fundo com os conhecimentos científicos que disponhamos hoje, mas também com a moral, que não devemos perder de vista.

Gente que professa distintas religiões falam de você como um profeta e vanguardista.
FP- Eu não me chamo profeta, quanto mais me poderia chamar aprendiz de profeta. Na Bíblia se encontra os grandes profetas do Antigo Testamento, homens que viam o mal e o denunciavam, ainda que corressem perigo de vida, porque era seu dever fazê-lo.  E às vezes, em meio à dor e ao sofrimento, eles viam tempos de consolação.

Referências e links:
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/556085-sintese-biografica-do-bispo-federico-pagura
https://seniales.blogspot.com.br/2016/06/federico-jose-pagura-1923-2016.html
http://www.metodista.org.br/nota-de-falecimento-bispo-emerito-federico-pagura