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Crianças indígenas recebem doação da Campanha “Livre uma criança indígena da fome!”

Crianças indígenas recebem doação da Campanha “Livre uma criança indígena da fome!”
24 de dezembro de 2013 Centro de Estudos Bíblicos
Crianças indígenas recebem doação da Campanha “Livre uma criança indígena da fome!”

Crianças indígenas receberam neste final de semana (21 de dezembro) as doações da Campanha “Livre uma criança indígena da fome!”, realizada pelo CEBI durante o Advento pelas redes sociais.

A campanha contou com a doação de recursos de vários pontos do país, inclusive pequenos depósitos de R$ 10,00 ou R$ 20,00 realizados na “boca de caixa”.

No sábado, cerca de duas toneladas de alimentos e roupas foram partilhadas com famílias que vivem no Acampamento de Yvy Katu, no município de Japorã, em Mato Grosso do Sul, na fronteira com o Paraguai. Além de contatos com famílias e lideranças, a equipe visitante aproveitou para conhecer oito áreas das quatorze reconhecidas pela Funai como originariamente dos povos Guarani Ñandewa.

 As doações beneficiarão quatro mil famílias que atualmente vivem em área de conflito judicial e sob ordem de reintegração de posse, suspensa temporariamente pela Justiça Federal, acatando recurso movido pela assessoria jurídica do CIMI (Conselho Indigenista Missionário). A justiça determinou que a União indenize os proprietários rurais e devolva as áreas para o reassentamento dos Guarani Ñandewa, mas ainda há reintegrações de posse a favor dos fazendeiros.

A campanha continua em andamento e os interessados ainda podem fazer doação nesta segunda fase diretamente na conta corrente 25200-X, agência 2904-1 Banco do Brasil, em nome do Centro de Estudos Bíblicos. Solicita-se a confirmação para [email protected].  Em clima de Natal, é uma oportunidade das pessoas fazerem um gesto concreto de solidariedade a etnias que vivem o preconceito ideológico, de classe e vítimas do agronegócio excludente e concentrador de terras e rendas.

Dois hectares por pessoa

 O reconhecimento da área indígena Yvy Katu se deu em 2004. Entretanto, por pressão dos latifundiários, foi autorizado apenas que as mais de quatro mil famílias indígenas permanecessem confinadas em apenas 10% da área, enquanto todos os recursos fossem julgados. Passados dez anos de total omissão do Estado e muita de violência dos fazendeiros, os indígenas decidiram reocupar toda a área, de 9,4 mil hectares.

“Nós somos 50% da população do município”, explica a liderança indígena Valdomiro Ortiz, “e no entanto, não estamos lutando por metade do território de Japorã. Ao contrário! Os 7,5 mil hectares não são nem 6% o território total da cidade. Isso é pelo que estamos lutando. Juntando com a reserva [totalizando 9,4 mil hectares] e dividindo por todo mundo, dá menos de 2 hectares pra cada um. Estamos lutando por menos de 2 hectares de terra por indígena aqui em Yvy Katu. Se isso dá vida digna pra todo mundo? Claro que não dá. Mas é por esses dois hectares que estamos lutando, e não por uma cidade inteira”!

Mato grosso do Sul possui 21,5 milhões de cabeças de gado. De acordo com a CONAB, em 2013, foram plantados no Estado 2,2 milhões de hectares de soja; 1,4 milhão de hectares de milho. Em cana-de-açúcar são mais de 540.000 hectares.

Fazendeiros fazem leilão para comprar armas, contratar advogados e subornar juizes

Trata-se de luta muito desigual. Enquanto os povos indígenas buscam se organizar como podem, contanto com apoio de parte da sociedade e de movimentos sociais, o latifúndio se arma de todas as formas. No início de dezembro, fazendeiros arrecadaram em um leilão cerca de um milhão de reais para “cuidarem de sua segurança”, como eles mesmos afirmaram. Tanto o governo federal como o estadual têm sido omissos e coniventes com o genocídio a que são submetidos os povos indígenas em Mato Grosso do Sul.

Enquanto fazem uso da violência e das ameaças (lideranças indígenas são mortas, têm seu veículos e casas incendiadas), conseguem subornar a “Justiça” para que a Constituição Federal.

(Colaboração: Gerson Jara)