Conto de Primavera

Mensagem do Conselho Nacional do CEBI para a Páscoa
Regina Marchesini

Era uma vez numa manhã, a madrugada ainda estava fria. Uma tristeza pairava no ar. Madalena prendeu os cabelos, pegou seu xale. Pensou em todas as vezes que ele tocara os seus cabelos. Sentiu uma dor profunda.

Mesmo sendo tão cedo, decidida, ela saiu. Passou na casa de Salomé, chamou também Maria e juntas caminharam em silêncio. No coração, além da tristeza o medo e uma pergunta: – o que faremos agora?

Porém, com a mais profunda coragem, determinadas, elas continuaram, sabiam que precisavam ir.

Não conversavam, era preciso ser quase invisível, corriam perigo, no entanto o silêncio que as envolvia, falava suave em seus corações, como se no mais simples olhar, elas se entendessem. De fato, não era preciso dizer nada. A dor muitas vezes fala e nos aponta para onde ir.

Levavam consigo o cuidado de quem ama: perfume, carinho, afeto, consolação.

Chegaram ao local onde ele havia sido sepultado. Ainda, por uma última vez, queriam vê-lo, mesmo que estivesse desfigurado pela maldade humana. Pensavam que com um pouco de cuidado poderiam devolver-lhe uma aparência de vida, digna de todo o amor que ele espalhou.

Chegaram e surpresa: o túmulo estava vazio. Ele não estava mais lá.

Angústia: – para onde o levaram? Não poderemos ver o corpo de quem amamos? O que fizeram com nosso amado?

Então, uma dor se fez solidária com todas as pessoas, que diante das guerras, não conseguiram enterrar seus mortos, que viram seus queridos, seus amigos, suas amigas, seus filhos e filhas dilacerados. Por que o mundo precisava ser tão cruel?

Dentro do túmulo um mensageiro, num sorriso claro, avisou: – Não temam! Ele não está mais aqui, ressuscitou.

Sem entender muito bem o que havia acontecido, lembraram das histórias que tinham ouvido, de como um filho amado deveria morrer para ressuscitar.

Dispersas caminharam pelo jardim a sua procura. Não entendiam, não conseguiam perceber os sinais, estavam confusas, até que Madalena o viu.

Nesse momento, seus olhos se iluminaram, perceberam que era uma manhã de primavera, que o sol brilhava clareando o dia, que a promessa se cumprira, que a vida renascera, que as flores voltavam a colorir a Terra, que as ervas exalavam seu mais fino perfume e as abelhas cantavam a cantiga da vida acompanhadas pelos passarinhos.

Numa moita de capim um coelho pulou alegremente  com seus olhinhos vivos e brilhantes. Parecia que  fazia festa.

Então elas entenderam o que deveriam fazer: correram anunciar ao mundo, que apesar de tudo: maldade, desamor, mentiras, opressão, fome, miséria, tirania, guerras, a vida venceu a morte, o amor venceu o medo, a esperança não decepcionou, Jesus ressuscitou!

E por isso, por elas, nós cremos na vida que não se acaba! Nós cremos na vitória da vida sobre a morte!

É Páscoa! É festa da ressurreição! É festa do amor!

Ninguém mais precisa ficar triste! Alegrem-se! Vamos em frente!

Feliz Páscoa! Força e coragem!

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