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Mensagem de Páscoa do CEBI

Mensagem de Páscoa do CEBI
29 de março de 2018 CEBI Secretaria de Publicações
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A Páscoa e a urgência da Libertação e da Liberdade

A Páscoa nos tempos antigos era uma festa de iniciação e de fertilidade. Antes de receber toda a significação e sentido da libertação do povo hebreu escravizado no Egito, esta festa tinha o objetivo de festejar a passagem para o novo ano agrícola e a busca de novas pastagens para o rebanho. É uma festa da primavera (lembrando que nos referimos às estações no hemisfério norte). Se lermos atentamente Êxodo 12, encontraremos um antigo memorial desta festa nos ambientes pastoris e camponeses.

Há dois elementos importantes apresentados pelo texto: o cordeiro e os pães. A festa do cordeiro é uma celebração que acontece à noite, ao redor do fogo e tem a participação de todo o clã. E o tamanho do cordeiro equivale ao tamanho do clã. É a festa do grupo dos pastores que se preparam para a busca de um novo pasto. Festa de organização da caminhada. Já a festa dos pães acontece por uma semana e é marcada por assembleias do clã no início e no final da festa. É uma festa de camponeses que celebravam os primeiros frutos da roça e se organizavam para o próximo plantio, a nova semeadura. Pastores e camponeses se juntaram nas montanhas por ocasião da formação do Israel tribal e nesta junção cada vez mais as tais festas de primavera foram se integrando.

Cordeiro e pães, elementos primordiais da festa da Páscoa, recebem um sentido mais amplo: o de comemorar e celebrar a libertação dos hebreus e das hebreias das garras do faraó e dos reis das cidades-estado de Canaã. Esta festa faz longa história no seio das tribos de Israel, até ser transformada em festa nacional por obra do rei Josias, no século VII a.C. Com isso perde seu caráter popular e clânico. Mas a memória insiste em perdurar, para além dos oficialismos, e é ela que está subjacente a todas as comemorações, incidentes e manifestações que se dão em Jerusalém, por ocasião da Páscoa, nos tempos de Jesus.

Comunidades cristãs, ao se debruçarem sobre aquilo que Paulo chama de “o escândalo da cruz”, sobre assassinato de seu messias por obra do imperialismo romano, teimam em proclamá-lo vivo. Leem as Escrituras com esta certeza e percebem aí indicações preciosas de que sua fé não é um absurdo inominável. Atrevem-se em dizer que, ao menos desta vez (e, a partir daí, nunca) a “Pax romana” não teve a última palavra. Experimentam, qual os hebreus e hebreias no passado e no decorrer da história, a liberdade pela certeza da vitória de Jesus sobre a morte e as forças que a promovem e a disseminam.

Como celebrar a Páscoa em tempos de violência, perseguição e criminalização das lutas por direitos sociais? Como sentir a ressurreição em situações de fome, desemprego crescente, destruição de condições básicas para a vida, de assassinatos, de extermínio da juventude negra, de mentiras lançadas por atores/agentes de grupos ultrarreacionários da elite econômica, dos moralistas religiosos e dos corruptos políticos? Como renovar e revitalizar esperanças, com os pés cravados no chão e ver a cada momento sangue derramado somando-se a sangue derramado? O grito do sangue de Marielle, de tantos camponeses/as, negros/as, indígenas, empobrecidos/as e injustiçados/as está a fortalecer nossa luta e busca para que aconteça a Páscoa.

Eis nosso desafio, para que a Páscoa seja realmente memória da luta e alavanca para uma sociedade mais simples, humana, justa e digna. A Páscoa e a nossa luta contra os poderosos a criminalizar as lutas sociais tem de caminhar nos trilhos da ousadia e da resistência das parteiras, de hebreus e hebreias que saíram do Egito, de Jesus Revolucionário da Galileia e das Comunidades Cristãs que se reúnem nas Casas. Mas as certezas do que já ocorreu insistem em nos convocar a que, como outrora “não nos conformemos ao esquema deste mundo, mas…” (Rm 12,1-2). Corajosa Páscoa na contramão dos esquemas e dos mecanismos de morte!

Que aprendamos a cada dia a descobrir e a experimentar a Ressurreição!

Shalom! Awerê! Axé! Aleluia!
A Direção Nacional do CEBI