Bem-vindo ao CEBI! (51) 3568-2560 | [email protected]

Umbanda: religião de amor e fé

Umbanda: religião de amor e fé
13 de setembro de 2018 CEBI Comunicação

por Yalorixá Janice de Iemanjá*

Falar de Umbanda requer tempo e coração aberto para captar a essência que a religião tem de amor e fé. Em 1.908, exatamente no dia 15 de novembro, nascia no Brasil uma nova religião, trazia paz, a caridade, o amor, união e solidariedade entre os povos.

Nesta religião era necessário um corpo mediúnico, onde várias pessoas iriam juntar-se para trabalhar com os espíritos de luz, designados a fazer o bem, sem olhar a quem. Ensinar a respeito do evangelho de Jesus e trazer conhecimentos do mundo espiritual. Reunidas as pessoas que tinham esse mesmo propósito, é hora de se trabalhar!

O tempo passou…. e hoje falo da minha Umbanda e do meu terreiro, pois cada um tem seu jeito de tocar e trabalhar seus fundamentos. A Tenda de Vovó Catarina e Pai Benedito nasceu em 18 de novembro de 1.984, e está em funcionamento até hoje, possui um corpo mediúnico de mais de 40 médiuns.

Falando dos iniciados em Umbanda: o médium quando chega ao terreiro, com problemas espirituais e financeiros por diversas vezes, desempregados e doentes, vem em busca de ajuda de nossas entidades, e as vezes depara com sua própria mediunidade, e precisa muito mais de cuidados espirituais, antes mesmo de resolver seus problemas materiais.

O iniciado passa pelo ritual de inicialização, pelo preparo de seu desenvolvimento, pela abertura do jogo de búzios para ver o que precisa ser feito de socorro a ele, passa pelos rituais de descarrego e oferendas aos orixás, com isso ele pode adentrar à corrente mediúnica para iniciar sua trajetória como Umbandista.

Existe todo um preparo para este filho, ele passa por aulas, para entender sua responsabilidade dentro da Umbanda, aprende a ser disciplinado, obediente, a ser humilde, amoroso, respeitar seu terreiro, seus irmãos e sua sacerdotisa.

Passados por essa fase de inicialização, ele passa pelo ritual de consagração da Umbanda e passa a ser realmente um membro da Tenda. Com o tempo, após esse amadurecimento inicial, o médium passa pela segunda fase, que é a feitura, que é um ritual mais complexo e aprendizado a longo prazo, são 7 anos de aprendizado continuo, sem falhar um ano sequer.

Após os 7 anos de preparação, o médium passa pela obrigação maior de consagração e ele recebe seu “Deká”, título de Sacerdote ou Sacerdotisa de Umbanda. Com isso ele está pronto para abrir sua casa de santo (claro se o médium quiser).

Assim, começa a caminhar sozinho, angariando seus próprios filhos espirituais e dando continuidade as leis da Umbanda como religião.

Eu, como mãe, dou todo o suporte quando eles precisam, sou a cuidadora da sua mediunidade, da saúde e do financeiro. Tudo que precisam estou sempre aqui para ajudar e socorrer por muitas vezes.
A Umbanda não proíbe nada, mas tudo tem que estar dentro da normalidade, do limite, do respeito e da moral.

  • não frequentamos boates;
  • não vamos a bares;
  • não temos vidas com prostituição e drogas;
  • respeitamos seu corpo físico, deixando um pouco de lado a vaidade e ostentação.

A título de exemplo, o médium precisa estar bem e com saúde, para que suas entidades chegando para trabalhar, possam ter uma manifestação ou incorporação pura, para ajudar as pessoas que venham tomar seu passe, ter um conselho e ajudar a todos que procuram.

Nossa casa de santo faz: batizados, casamentos, velórios, cirurgias espirituais, atendimentos espirituais, benzimentos, garrafadas, rezamos todas as preces possíveis. Trabalhamos com a força da natureza: sol, lua, água doce, vento, pedras, ferroas, terra, mar, nascimento e morte, cada orixá corresponde a uma força dessas.

Não trabalhamos com e nem somos religião do Diabo, somos de puro amor, caridade e fraternidade, sem distinção de raça, cor, credo e opção sexual.

Um abraço apertado, carregado de axé e de muitas bênçãos a todos.

Texto da Yalorixá Janice de Iemanjá, Campo Grande/MS, Umbandista há mais de 40 anos, sendo 30 anos dedicado exclusivamente ao sacerdócio.

Texto partilhado por Ariel Gomes.