Vinde e Vede: Profecia, Seguimento e Serviço no Início da Missão

Lecionário Comum: Is 49.1-7; Sl 40.1-11;  1 Co 1.1-9;  Jo 1.29-42

Lecionário Católico: Is 49,3.5-6; Sl 39(40),2.4ab.7-8a.8b-9.10 (R. 8a.9a); 1Cor 1,1-3; Jo 1,29-34

Márcio Luiz de Oliveira
Cebi – Bahia

Olá, amiga, amigo do caminho!

Neste Segundo Domingo do Tempo Comum, estamos com Jesus iniciando seu caminho missionário, mais precisamente na Semana Inaugural de sua missão, como desenhada no Evangelho joanino (Jo 1,19–2,12). No Lecionário Comum, contemplamos Jesus no segundo e no terceiro dias de sua missão (Jo 1,29-42); enquanto, no Lecionário Católico, contemplamos Jesus apenas no segundo dia (Jo 1,29-34). São evangelhos oportunos para rezar, pensar e planejar vida, luta e missão neste início de ano, a partir do lugar da profecia. Alguns pontos:

  1. Apontar o Cristo (Jo 1,29-34), o segundo dia da Semana Inaugural: o profeta é aquele que vê. João é o profeta que vê e testemunha: “Eu vi e dou testemunho” (Jo 1,34). Ver Jesus, ver o Espírito: ver é conhecer. Neste início de ano, início de novas aventuras missionárias, João nos desafia a “ver”, isto é, a conhecer profundamente, antes de mais nada, aquele que nos chamou e enviou; mas também a ver e conhecer a realidade, as pessoas e para onde ele nos envia. Sem ver, não há missão.
  2. Apontar o Cristo(Jo 1,29-34), ainda no segundo dia da Semana Inaugural: o profeta é aquele que testemunha. Apontar, testemunhar. Este Evangelho nos desafia a perguntar: quem nos apontou Jesus? Quem foi o Batista de nossa vida? E mais: que Jesus nos apontaram? Um Cristo das formalidades religiosas ou Jesus de Nazaré, o Senhor que é Servo? O testemunho de João é um testemunho místico, ou seja, profundo, não formal, não ritualístico: “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele” (Jo 1,32). João não se perde em falsas expectativas, mas vê o que permanece. E o que permanece é a vida do Espírito, a vida que vem de Deus e se coloca contra a morte e as trevas.
  3. Apontar Jesus (Jo 1,35-42), o terceiro dia da Semana Inaugural. Os discípulos de João seguem Jesus; logo, o discipulado do Batista é o seguimento de Jesus. Diante de quem, mais uma vez, é preciso “ver”, ou seja, conhecer: “Vinde e vede!”. Aqui temos uma metodologia pastoral: primeiro, seguir o conselho do Batista, isto é, do amigo que aponta; segundo, ir até Jesus, buscar, indagar, falar com ele; terceiro e último, ir para casa com ele, fazer experiência, estar com ele. Afinal, para onde será que Jesus está nos levando? Onde é a casa de Jesus na minha realidade pastoral ou missionária?

É a postura do Batista que “alinhava” toda essa cena de profecia e serviço: o profeta que vê, testemunha e aponta é um “servo”. Um servo como o Servo Sofredor de Isaías do Exílio (Is 49,3.5-6): “Não basta seres meu Servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até os confins da terra!” (Is 49,6). João-Servo aponta Jesus-Servo; e o Cristo-Servo tem uma missão maior. Não veio para um grupo ou povo, mas para todos aqueles e aquelas que esperam e buscam a libertação.

Unimo-nos ao profeta Batizador e a Isaías; unimo-nos a Jesus, o Servo dos servos, para que, neste ano que já começou, construamos novas agendas de libertação: ver e testemunhar; apontar e seguir; conviver e lutar.

Até mais!

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