Um Olhar para a Moral Cristã

Domingo VI do Tempo Comum Leconário Comum
Dt 30.15-20
Sl 119.1-8
1 Co 3.1-9
Mt 5.21-37
Lecionário Católico
Eclo 15,16-21
Sl 18(119),1-2.4-5.17-18.33-34 (R. 1)
1Cor 2,6-10
Mt 5,17-37 ou mais breve 5,20-22a.27-28.33-34a.37

Para este domingo, leremos Mateus 5,21–37, um trecho do Sermão do Monte em que Jesus aprofunda o sentido da Lei e desloca o foco da mera regra externa para a intenção do coração. Talvez, tenha sido do interesse da comunidade de Mateus questionar as estruturas e padrões religiosos e que, facilmente, nos tempos que vivemos, poderia se chamar de conservadorismo ou tradicionalismo religioso.

Assim, a comunidade olha para trás, vê sua própria história e tenta colocar na boca de Jesus questionamentos imprescindíveis da moral religiosa do judaísmo histórico. E hoje nós precisamos nos questionar sobre o próprio moralismo. Ou mesmo nos questionar sobre os burburinhos e comentários maldosos nos corredores e bastidores do poder religioso. Como diz, Dom Helder: “Quem disse que o povo não pensa? O povo peeensaa!”. Sim, o povo sabe discernir e identificar nossa hipocrisia. Sobretudo, quando escolhemos viver de forma antiética e moralista. E ai, o rito religioso perde o sentido e deixa de estender-se em solidariedade no culto.

O texto começa retomando o mandamento “não matar”, mas vai além: a ira, o desprezo e a palavra mentirosa e que o fere, também, destroem vidas e nos tornam responsáveis diante das causas e circunstâncias quando se comete conscientemente qualquer falsidade. Por isso, a reconciliação vem antes do culto – pois não faz sentido ofertar em qualquer altar enquanto mantemos rupturas abertas e desrespeitamos as pessoas e a Criação. A Justiça florescerá no caminho da paz, no acordo, na restauração das relações. Pense numa coisa difícil de fazer nesses dias, porque cada qual de nós “sabe mais” e tem a própria verdade.

Não precisamos utilizar esse texto para controlar a vida alheia. Sobretudo nós, lideranças religiosas. Precisamos evitar o desrespeito e as violências simbólicas e psicológicas entre nossas relações eclesiais. Ou mesmo nossas relações em nossos movimentos e organizações sociais. Sim, olhemos primeiro para nós, em nosso Caminho e Caminhada. E a começar em nós busquemos integridade e respeito.

A linguagem é radical — arrancar o olho, cortar a mão para mostrar a seriedade de enfrentar aquilo que nos desumaniza. O mesmo vale para os acordos de convivência – o que a sociedade convencionou chamar de casamento –, e para os juramentos: o chamado é para uma vida íntegra, coerente, em que a palavra seja suficiente. “Seja o seu ‘sim’, sim; e o seu ‘não’, não.”

É um convite exigente: sair da formalidade religiosa, ritualística e entrar na ética do coração, onde reconciliação, fidelidade e verdade se tornam práticas concretas do seguimento, do Caminho e da Caminhada de Jesus.

Izaías Torquato, reverendo anglicano, exerce a função de pároco na Paróquia São Felipe – Goiânia-GO. Diocese Anglicana de Brasília – IEAB.

Carrinho de compras
Rolar para cima