Queridas irmãs, queridos irmãos,
Feliz ano novo! Expresso aqui os meus votos, não de modo protocolar, mas como para passar a vocês tal energia de esperança e de amor, que possamos vencer todos os desafios que 2026 promete trazer.
Para irmos além da colonialidade e do etnocentrismo, é preciso dar-nos conta de que 1º de janeiro de 2026 é a referência de ano novo para os povos e grupos que contam os anos a partir do que se convencionou chamar de “era cristã”. Não podemos esquecer que nossos irmãos e irmãs da China (mais numerosa população do planeta) só celebrarão o seu ano novo no próximo 17 de fevereiro e, para eles, será o ano 4.724. Já o ano novo tibetano (o 2.153) ocorrerá no dia seguinte (18/ 02). O ano ano hindu será no dia 19 de março (o ano 2.083) e as comunidades judaicas celebrarão o Rosh Rashaná (“cabeça do ano) no 11 de setembro e este será o ano 5787.
O ano novo islâmico (Hijri) celebra o aniversário da hégira, fuga do profeta Muhamad de Meca para Medina (no nosso ano 622). Este ano novo será o 1448 e coincide com o nosso 26 de junho.
Pouca gente sabe que na África, o povo de cultura Iorubá, do qual tanta gente veio como escrava para o Brasil e outros países da América, este povo ainda celebrará o seu ano novo, como o 10069. É o de maior numeração, o que indica ser o mais antigo de todos que se celebram na humanidade. Chama-se Kójodá e marcará o início da colheita do inhame, o plantio das árvores de Obi e de novo ciclo lunar. E ainda há outros que não anotei, como o ano novo andino (Inti Rami) no 21 de junho. Esses já servem de motivo para dar-nos conta da diversidade de culturas e de como não podemos fazer de conta que os outros não existem.
Celebremos este ano novo, em comunhão também com os grupos e povos que não o celebram. Isso já será um ensaio de um mundo multipolar e cultural e religiosamente pluralista e no qual aprendemos com a pluralidade para caminharmos na direção de um novo mundo, necessário e possível.
Um cacique iroquês afirmava que devemos pensar sobre as consequências que nossas ações terão para nossos filhos e netos, até a oitava geração.
Quando vemos acontecer tantas tragédias ecológicas e sociais, percebemos que cada vez mais, nossa última chance se aproxima. Então, hoje, nosso desejo de feliz ano tomará concretitude se nos ajudarmos mutuamente no exercício da sensatez, inteligência, humildade, solidariedade, compreensão, amor e é claro, tudo isso na luta pacífica pelas utopias nas quais acreditamos.
Que a inspiração do Amor Divino nos acompanhe nessa estrada.
Feliz ano novo para vocês e todas as pessoas da família e do convívio mais próximo de vocês.
Abraços do irmão Marcelo Barros



