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Obama anuncia plano para fechar prisão de Guantánamo em Cuba

Obama anuncia plano para fechar prisão de Guantánamo em Cuba
23 de fevereiro de 2016 Centro de Estudos Bíblicos
Obama anuncia plano para fechar prisão de Guantánamo em Cuba
 O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta terça-feira (23) que vai apresentar ao Congresso americano um plano para fechar a prisão de Guantánamo, em Cuba.

O plano elaborado pelo Departamento de Defesa do país vai ser apresentado ainda nesta terça-feira e tem seu "apoio total", afirmou Obama, em pronunciamento na televisão.

"Manter esse local aberto é contrário aos valores americanos e mancha a imagem americana no mundo", Barack Obama, presidente dos EUA

Ele conclamou o Congresso a dar um “tratamento justo” à questão e disse que não quer passar o problema para a pessoa que vai sucedê-lo na Casa Branca.

Obama promete desde a sua primeira campanha presidencial fechar o centro penitenciário. Atualmente há 91 detentos no local.

"Quando algo não funciona como previsto, temos que mudar de rumo", afirmou o presidente, dizendo que é “largamente reconhecido” que Guantánamo precisa fechar.
 Segundo ele, o Departamento de Defesa pode economizar US$ 80 milhões por ano com o fechamento do centro de detenção.

Obama afirmou que Guantánamo prejudica a imagem dos Estados Unidos e enfraquece sua segurança nacional. "Há muitos anos ficou claro que o centro de detenção da baía de Guantánamo não faz nossa segurança nacional avançar. Ele a enfraquece", disse. "Manter esse local aberto é contrário aos valores americanos e mancha a imagem americana no mundo."

Obama disse que os EUA já mantêm presos em seu território terroristas perigosos. “E administramos bem a situação”, afirmou. “Deixe-nos fazer o que é certo para a América. Deixe-nos ir adiante e fechar esse capítulo.”

Oposição

No entanto, o presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, o republicano Paul Ryan, divulgou uma nota após o anúncio de Obama em que diz que não colocará "em perigo a segurança nacional do país por uma promessa de campanha".

"Após sete anos, o presidente Obama ainda tem que convencer o povo americano que transferir os terroristas de Guantánamo para nossa pátria é inteligente e seguro", disse Ryan em comunicado.

O líder dos republicanos no Legislativo insistiu que Obama "não parece interessado em continuar fazendo esforços" para explicar aos americanos sua estratégia para o fechamento da prisão e considerou que sua proposta "não proporciona os detalhes críticos requeridos pela lei, incluindo o custo exato e a localização de um centro de detenção alternativo".

"O Congresso não deixa espaço para confusão. É contra a lei – e seguirá sendo contra a lei – transferir detidos terroristas para solo americano", insistiu Ryan.

Detalhes

Meia hora antes da fala de Obama, oficiais administrativos deram entrevista às agências de notícias dando alguns detalhes sobre o plano. Segundo a Reuters, o documento se refere a 13 possíveis lugares para onde os detentos podem ser transferidos em solo americano.

O texto mencionaria ainda o plano do Pentágono de transferir 35 prisioneiros nos próximos meses e um total de 60 até o fim do ano.

Promessa de campanha

Os Estados Unidos transformaram a sua base na baía de Guantánamo em uma prisão após os atentados de 11 de setembro de 2001. Para lá foram enviadas centenas de suspeitos de terrorismo. A administração foi acusada de mantê-los em condições consideradas desumanas por organismos internacionais.
Fotos de homens vestidos com macacões laranjas e algemados viraram um símbolo da política externa americana na década de 2000.

Os internos foram qualificados como "combatentes inimigos", e Washington negou a eles os direitos legais que concede às pessoas presas em seu território.

A população de Guantánamo diminuiu recentemente, e alguns presos que os Estados Unidos deixaram de considerar perigosos foram repatriados ou enviados a um país de acolhida, como os Emirados Árabes Unidos e Gana.