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O efeito ‘cara pálida’

O efeito 'cara pálida'
Gabriela é bisneta de índia. Sua bisavó, capturada pelos temidos "caras pálidas", foi brutalmente inserida em outra cultura contra sua vontade e totalmente contra suas crenças, que se perderam em sua família e se dissiparam no tempo.

Dona Ana viveu em 1912 e essa crueldade ainda permanece. Não que haja muito tempo, é uma história um tanto recente e bem repetida. Como disse Ronald Claver, professor e escritor brasileiro, ela foi mais uma a ter "seus sonhos crucificados", assim como o homem das histórias e da religião que a impuseram.

Caras pálidas, para mim, são brancos que insistem em destruir seus iguais. Há 516 anos, 3 caravelas e milhões de negros vindos do tráfico negreiro, eles começaram a agir nessa terra que chamamos de Brasil.

No último dia 31, Vitor Pinto, uma criança de dois anos, foi brutalmente assassinada em Santa Catarina pelo simples fato de ter nascido índio, em um berço diferente assim como sua cor.

Em um café, Gabriela me contou que já foi discriminada pela sua cor, por parecer índia. Já foi destratada em hospitais por sua origem. Quantos mais terão que passar por isso?

Discursos e atos de ódio são comuns, já que atacam as minorias. Ser comum é diferente de ser normal.

Os índios parecem cair no limbo mídia, naquele armário velho de casa que guardamos as coisas para resolver depois.

A população indígena é 232 vezes menor do que a população total do país. Vamos aos números: 817.963 de brasileiros são indígenas, segundo o IBGE.

Em 2013, aproximadamente 14 mil crianças indígenas entre 0 e 5 anos morreram.

Isso para não dizer dos indígenas que foram assassinados por crimes de ódio, assim como Vitor.

Não seria isso um genocídio?

Eles não são apenas números. São pessoas exatamente como nós, com famílias, com formação, com uma vida que é, ou deveria ser, tratada com mais respeito.

Será que os direitos humanos são apenas para brancos? O efeito cara pálida ataca mais uma vez.

Os índios existem, mesmo que em menor número. Apesar de parecer que em breve os teremos apenas nos filmes e livros, talvez em lendas.

Meus sentimentos à tribo e à mãe do Vitor. Permaneçam fortes.

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