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O Apocalipse e o fim do mundo

O Apocalipse e o fim do mundo
22 de maio de 2012 Centro de Estudos Bíblicos

Para muitas pregações o livro do Apocalipse fala do fim do mundo. Mas seria o fim do mundo ou do fim de um mundo? Diante de Pilatos, Jesus não titubeou: "O meu reino não é deste 'seu' mundo" (Jo 18,36). O Apocalipse sonha, sim, com o fim de um mundo: o mundo da dominação do império romano, que sufocava a vida das comunidades. Por isso, é força no enfrentamento dos impérios de ontem e de hoje.

A palavra apocalipse quer dizer "tirar o véu" ou "revelação". Entretanto, é mais do revelação de coisas que acontecerão no futuro, ou previsão de catástrofes. Por isso, a postura de medo diante do Livro do Apocalipse não se justifica. Ele não é uma casa de terror para encher de pânico a quem nela entra.

Conheça mais nos livros abaixo indicados. O propósito dos autores é revelar o outro lado do Apocalipse, o lado da esperança, da alegria, da coragem e, assim, minar por baixo as leituras que provocam confusão e medo, pois são contrárias à intenção de Deus. Mostram que o Apocalipse quer criar liberdade, alegria e esperança. 

"Apocalipse

Apocalipse de João. Esperança, coragem e alegria. Parte 1

Carlos Mesters e Francisco Orofino

Por: R$ 9,80

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"Apocalipse

Apocalipse de João. Esperança, coragem e alegria. Parte 2

Carlos Mesters e Francisco Orofino

Por: R$ 10,20

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O apocalipse é profecia em tempo de impérios

A palavra apocalipse quer dizer "tirar o véu" ou "revelação". Mas não é revelação de coisas que acontecerão no futuro, como o fim do mundo, por exemplo. Nem é previsão de catástrofes. Por isso, a postura de medo diante do Livro do Apocalipse não se justifica. Ele não é uma casa de terror para encher de pânico a quem nela entra.

Muito pelo contrário, é um livro profético de denúncia das injustiças do momento presente, pois ele revela a real situação de opressão exercida pelos impérios, não só dos romanos naquela ocasião, mas de todos os tempos. É um livro que estimula a resistência e a perseverança, promove a firmeza na fé e na esperança. Alimenta a militância de quem resiste à opressão, confiante na ajuda de Deus e de seu Cordeiro que age na história através de seus servos em favor da libertação.

O Apocalipse é profecia em tempo de dominação de impérios. Por um lado, denuncia sua violência, sua exploração e o uso que fazem da religião para se apresentar como sagrados, exigindo culto ao imperador. Revela a consciência de que não é possível fazer acordos com a Besta. Não há como conciliar o projeto de Deus com o do Dragão. Portanto, o Livro do Apocalipse quer manter a perseverança na fé em Jesus e na resistência diante da imposição da ideologia idolátrica romana, que pretende cooptar as comunidades.

Em nossos dias, poderíamos dizer que um dos principais objetivos do Apocalipse seria fortalecer a resistência contra os valores que o império do capital globalizado nos quer impor, tais como o individualismo, a competição, o acúmulo de bens materiais, o endeusamento das riquezas, a corrupção, etc. Quer também motivar nossa perseverança em estabelecer uma economia solidária, novas relações com base na justiça e na partilha.

Por outro lado, o Livro do Apocalipse anuncia o fim de toda opressão e imposição ideológica. O julgamento que faz da história é uma proposta de total transformação das estruturas injustas que geram sofrimento e morte. Em seu lugar, propõe uma sociedade cidadã, um novo céu e uma nova terra. Este é seu projeto de vida.

Tudo isso é expresso através de linguagem apocalíptica, muito comum no Judaísmo desde a resistência dos macabeus contra o Império Grego por volta de 200 a.C. e que se prolongou até em torno do ano 200 d.C.

O gênero literário apocalíptico tem como característica principal o uso de linguagem codificada. Comunica-se através de códigos compreensíveis somente às pessoas que pertencem ao grupo de resistência. Desvela-lhes a realidade, gerando consciência crítica e esperança para não desanimar na caminhada. Como estimula a perseverança na luta contra os opressores, é texto subversivo, clandestino. E mesmo que caísse nas mãos do Império, dificilmente este compreenderia sua linguagem codificada, expressa através de símbolos, figuras, sonhos, visões, animais, números e cores.