Bem vindo(a) ao CEBI ! (51) 3568-2560

Comentário do evangelho: Eu vim para servir

Comentário do evangelho: Eu vim para servir
15 de outubro de 2018 CEBI Secretaria de Publicações

Leia o comentário do evangelho para o próximo domingo sobre Marcos 10,35-45. O texto pertence a Ildo Bohn Gass*.

Boa leitura!

Vamos refletir sobre a conversa entre Jesus e seus discípulos (Marcos 10,36-45), ocorrida após o terceiro anúncio da paixão (Marcos 10,32-35). Este anúncio da paixão está situado no caminho para Jerusalém, o caminho do seguimento (v. 32). É o caminho da diaconia, isto é, do serviço. É o caminho em que Jesus vai abrindo, aos poucos, os olhos dos discípulos ainda cegos. Até que ponto, continuamos cegos em nossos dias, quando sabemos que o pior cego é aquele que não quer enxergar?

A comunidade que é de Jesus não reproduzir as relações deste mundo, que são de luta por poder, riquezas, consumismo e prestígio a qualquer custo. E, para garantir esses privilégios, espalham preconceitos e mentiras, calúnias e intolerâncias, ódio e violência. E isso tudo focado no indivíduo e não em pessoas, satisfazendo interesses individualistas sem se preocupar com a realidade das pessoas mais necessitadas.

A comunidade cristã será expressão das relações do reinado de Deus e semente de uma nova sociedade, somente estabelecendo relações alternativas às do mundo, fundamentadas na acolhida e na verdade, no amor e na paz. Ao lembrar o modo opressivo de os romanos exercerem o poder, Jesus sentencia: “Entre vós não deverá ser assim” (Mc 10,43).

Luta por poder

Depois do segundo anúncio da paixão (Marcos 9,30-32), Jesus já tentara abrir os olhos dos discípulos quanto à forma de exercer o poder, uma vez que a discussão pelo caminho era sobre “qual dentre eles seria o maior”. “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último e aquele que serve a todos” (cf. Marcos 9,33-35). No entanto, parece que o ensino de Jesus não teve o efeito esperado. É que a questão do poder privilégio volta novamente à tona.

Agora, Tiago e João disputam os melhores cargos no reinado de Jesus (Marcos 10,35-37). E são eles mesmos que vão pleitear as melhores posições junto ao líder. Diferente é em Mateus, onde a mãe dos filhos de Zebedeu, acompanhada pelos dois jovens, vem fazer lobby junto a Jesus, a fim de que conceda os cargos mais importantes a eles. Ela imagina que sua pressão em favor dos filhos sensibilize o coração de Jesus.

No texto de hoje, em resposta a Tiago e João, Jesus diz que até podem beber do mesmo cálice que ele beber e receber o mesmo batismo que ele receber, isto é, sofrer morte violenta por fidelidade ao projeto do Pai. No entanto, na proposta de Jesus não há espaço para privilégios, para a desigualdade (Marcos 10,38-40). Sua política é igualitária.

E nós, como exercemos a autoridade em nossas comunidades? Como estabelecemos relações de poder quanto às questões étnicas e de gênero? Também fazemos como os filhos de Zebedeu?

Autoridade que serve

A partir dali, Jesus novamente ensina qual é seu projeto de poder. Primeiro, refere-se à forma como não devemos exercer a autoridade. E o faz, lembrando como os romanos, “aqueles que vemos governar as nações”, exerciam o poder. Eles “oprimem e tiranizam” os povos que subjugam. Os poderosos daquele mundo alcançavam a paz através da vitória, impondo a derrota com violência a quem resistisse contra a sua tirania. E eles chamavam a isso de pax romana. A paz de Jesus não é a da vitória pela violência, mas é a paz fruto da justiça. É por isso que ele diz: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá” (João 14,27). Em consequência, a comunidade que quer ser semente de uma nova sociedade não pode reproduzir as relações deste mundo: “Entre vós não deverá ser assim” (Marcos 10,43).

Em segundo lugar, Jesus faz a sua proposta: “aquele que dentre vós quiser ser grande, seja o vosso servidor; e aquele que quiser ser o primeiro dentre vós, seja o servo de todos” (Marcos 10,43-44). Para Jesus, o poder é diaconia, é serviço. E ele deu o exemplo, pois não veio para ser servido, mas para servir. Veio para dar a sua vida em resgate de muitos (Marcos 10,45). Ele é o messias diácono, servidor. No evangelho segundo João, é na narrativa do lava-pés que Jesus ensina a respeito de como viver relações igualitárias na comunidade (João 13,1-17), de modo que ela seja luz para mundo e sal para a terra (Mateus 5,13-16).

Que, tal como Jesus aprendeu de sua mãe, também nós aprendamos a dizer com Maria: “Eis aqui a serva do Senhor” (Lucas 1,38).

Concluindo e ampliando

O problema não é o poder em si, mas a forma como o exercemos. Assim também é com a riqueza criada por Deus. A questão é o que fazemos com ela, se a acumulamos ou partilhamos. Jesus chamava a riqueza acumulada de “tesouro da terra”, ao passo que chamava a riqueza repartida de “tesouro do céu” (cf. Mateus 6,19-20).

O “poder sobre”, o poder vertical ou de cima para baixo é um poder que oprime, faz sofrer e serve a poucos. É autoritário. O que Jesus condena é justamente essa forma de exercício da autoridade. Ao passo que o “poder com”, o poder horizontal ou de braços dados em comunhão é uma autoridade exercida em parceria e serve à maioria. É uma autoridade participativa e democrática. E somente pode viver essa autoridade quem experimenta o “poder de dentro”, do interior, que empodera a autonomia, a liberdade de quem o exerce.

Mais que dar a vida por Jesus, ser discípulo e discípula dele é, como ele, doar-se para que todas as pessoas tenham vida, e vida em abundância. Ser discípulo é ser como o cego Bartimeu. De um lado, é buscar ardentemente a superação da cegueira da mente e do coração na luta por poder. De outro, enxergando como Bartimeu, é buscar clareza a respeito do projeto de Jesus, segui-lo pelo caminho e servir, isto é, de cego a discípulo (Marcos 10,46-52).

A partir da prática de Jesus em relação ao exercício do poder, podemos ampliar sua dimensão de serviço. As nossas comunidades continuam a ser chamadas a viver a diaconia, não somente quanto às relações de poder, mas também no serviço a quem mais precisa e sofre discriminação em nosso meio. É o serviço às pessoas que não têm direito à liberdade nem à saúde, ou que não têm o que comer nem beber, com que se vestir ou onde morar e trabalhar com dignidade (cf. Mateus 25,35-36). Vivendo relações de serviço, já antecipamos, em nossas comunidades, o resgate da democracia, o outro mundo possível e urgentemente necessário, a fim de evitar o autoritarismo que leva à barbárie.

Texto de Ildo Bohn Gass, teólogo, biblista popular e assessor do Centro de Estudos Bíblicos.

Ildo também é autor de vários livros do CEBI.
Conheça alguns títulos:
Satanás e os demônios na Bíblia
Coleção Uma Introdução à Bíblia
Re-imaginando a Trindade
Espiritualidades dos povos originários e leitura popular da Bíblia

Liga228 situs judi bola merupakan situs judi bola online dengan pasaran terlengkap.

Kunjungi situs judi bola terlengkap dan terupdate seluruh asia.

Situs sbobet resmi terpercaya. Daftar situs slot online gacor resmi terbaik. Agen situs judi bola resmi terpercaya. Situs idn poker online resmi. Agen situs idn poker online resmi terpercaya. Situs idn poker terpercaya.

situs idn poker terbesar di Indonesia.

List website idn poker terbaik.

Game situs slot online resmi

slot hoki terpercaya

slot terbaru

rtp slot gacor

agen sbobet terpercaya

slot online judi bola terpercaya slot online terpercaya judi bola prediksi parlay hari ini