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Crianças também foram torturadas durante a Ditadura

Crianças também foram torturadas durante a Ditadura
21 de fevereiro de 2014 Centro de Estudos Bíblicos
Crianças também foram torturadas durante a Ditadura
Pouca gente sabe que até crianças de colo foram torturadas pela Ditadura Civil-Militar que se impôs no Brasil a partir de 1964. Via de regra, a intenção dos torturadores era intimidar os pais e familiares, no intuito de arrancar ou forjar confissões, ou simplesmente mostrar a face monstruosa de seu poder.
 
Um caso emblemático foi o de Carlos Alexandre Azevedo (Cacá), que teve os dentes quebrados pelos torturadores com apenas um ano e oito meses de idade. Falecido no ano passado, Cacá viveu toda sua breve existência sob os traumas da tortura.
 
Leia a seguir a carta-depoimento de seu pai, o jornalista Dermi Azevedo, por ocasião do primeiro aniversário da morte de Cacá.
 
 
Caro Carlos Alexandre Azevedo (Cacá)
 
Meu querido filho,
 
Bom dia !
 
Faz hoje exatamente um ano que você partiu para outra vida. Como aconteceu com muitas outras crianças, você foi uma das vítimas da cruel e sanguinária ditadura civil-militar de 19648. Com apenas um e ano oito meses, você foi submetido a torturas pela “equipe” do delegado Josecyr  Cuoco, subordinado ao  delegado Sérgio Paranhos Fleury, um dos mais violentos esbirros da história contemporânea.

Já no sofá da pequena casa em que morávamos no bairro de Campo Belo, na zona sul paulistana, os investigadores da repressão quebraram os seus dentinhos; mais tarde, você foi submetido a novos vexames na sede do DEOPS. Em seguida, na madrugada de 14 de janeiro de 1974, você foi levado a São Bernardo do Campo, onde moravam seus avós Carlos e Joana. Eles foram acordados  com o barulho dos agentes que jogaram você no piso da sala…

Toda a sua vida foi marcada por esses acontecimentos. Quando você, anos mais tarde, tomou conhecimento do que viveu, você leu muito e estudou a história da repressão fascista.  Em entrevista à repórter Solange Azevedo, da ISTO É,  você sussurrou:  “Minha família nunca conseguiu se recuperar totalmente dos abusos sofridos durante a ditadura… Muita gente ainda acha que não houve ditadura nem tortura no Brasil…”.

É isto mesmo, meu filho. Ainda há muita gente que não acredita que milhares de brasileiros e de brasileiras, de estrangeiros e de estrangeiras que viviam no Brasil, dedicados aos mais oprimidos e excluídos, tenham sido perseguidos e esmagados pela ditadura…”

Ainda há cidadãos, fardados ou não, no Brasil e na América Latina, que praticam e legitimam a tortura…

Definitivamente marcado pela dor…por sua dor e pelo sofrimento (inenarrável ) de sua mãe e de seus irmãos, você decidiu partir…

Cabe a mim, seu pai, a tarefa quase apenas de compartilhar a narração do seu calvário, de denunciar – como jornalista – os crimes da ditadura e de lutar para que dores e agonias, como as que você viveu, nunca mais aconteçam…

Do seu pai
Dermi Azevedo
 
 
As pessoas interessadas na temática da Ditadura Militar podem acessar o site Brasil Nunca Mais [email protected] que mostra um acervo com mais de 710 processos (cerca 900 mil páginas) sobre torturas durante a Ditadura Militar.
 
O Brasil Nunca mais [email protected] foi lançado no dia 09 de setembro de 2013 e reúne além dos processos julgados pelo Superior Tribunal Militar (STM), fotos, vídeos e materiais sobre abusos e torturas cometidos durante a Ditadura Militar.
 
O projeto Brasil: Nunca Mais (BNM) que resultou no site O Brasil Nunca mais [email protected] "foi desenvolvido pelo Conselho Mundial de Igrejas e pela Arquidiocese de São Paulo nos anos oitenta, sob a coordenação do Rev. Jaime Wright e de Dom Paulo Evaristo Arns. A iniciativa teve três principais objetivos: evitar que os processos judiciais por crimes políticos fossem destruídos com o fim da ditadura militar, tal como ocorreu ao final do Estado Novo, obter informações sobre torturas praticadas pela repressão política e que sua divulgação cumprisse um papel educativo junto à sociedade brasileira" como informa o site Brasil Nunca Mais [email protected]