Bem vindo(a) ao CEBI ! (51) 3568-2560

CEBI-ES: Estado laico é tema de debate

CEBI-ES: Estado laico é tema de debate
CEBI-ES: Estado laico é tema de debate
7 de julho de 2015 Centro de Estudos Bíblicos

O Centro de Estudos Bíblicos do Espírito Santo (Cebi-ES) terminou o mês de abril com a realização da mesa redonda “Até onde o Estado é laico?”. A atividade, que ocorreu na terça-feira, dia 28, no Cebi, localizado no Centro de Vitória, foi uma iniciativa da equipe de juventude do Centro de Estudos. Os debatedores foram o professor de filosofia Alex Sandro Zorzal, o cientista das religiões Fabiano Costa Leite e a mestra em Ciência Política, historiadora, filósofa e professora da Faculdade Salesiana, Célia Maria Vilela Tavares.

Alex Sandro Zorzal citou exemplos de casos que aconteceram no ambiente escolar para mostrar a interferência religiosa nas instituições de ensino, inclusive as públicas. “Em um colégio onde trabalhei tinha uma rádio escola. Todos os dias ela dedicava um espaço para alguns estilos musicais. Tinha, inclusive, o dia do Gospel. Contudo, a ideia de um grupo de alunos de tocar músicas de Clara Nunes na rádio provocou uma manifestação negativa por parte de algumas pessoas da comunidade escolar, o que acarretou numa discussão sobre o porquê de poder tocar música gospel e não colocar músicas de Clara Nunes, que fazem referência à cultura das religiões de matriz africana”, relata Alex.

O professor acredita que, muitas vezes, as pessoas se contradizem ao afirmar que defendem o Estado laico. “No fundo, elas são favoráveis a um Estado teocrático desde que sua religião esteja no comando, sustentando a ideia de um Estado religioso”, afirma. O cientista das religiões Fabiano Costa Leite defende que isso é um dos reflexos da disputa por hegemonia, feita pelas religiões. “Essa disputa provoca a fragilidade do laicismo, uma vez que as crenças hegemônicas querem permanecer assim, e as que não são, querem se tornar hegemônicas, nem que para isso tenham que ferir o princípio do Estado laico”, diz Fábio, que cita como exemplo a tentativa de deputados da bancada evangélica de fazer com que seus pensamentos religiosos sejam amparados por lei.

“Essa realidade é fruto de um Estado paternalista, no qual as pessoas só passam a ter direitos quando fazem parte de uma hegemonia política”, explica o cientista das religiões. Ele destacou, ainda, que o espaço público não é projetado para a diversidade de credos. “Um exemplo disso são os cemitérios, que são pensados a partir de uma religiosidade específica”, diz. Fábio defende que o fortalecimento do Estado laico passa pelo desenvolvimento da austeridade. “O outro tem que passar a ter significado para mim, tem que ser pleno, ter uma vida bonita da forma como ele acha que é vida bonita para ele, e não ser encarado como um mal a ser combatido”, diz.

Definição de Estado laico

Segundo Célia Maria Vilela Tavares, o Estado laico é aquele que não adota uma religião oficial, onde vigora a separação entre Estado e instituições religiosas, permitindo ao seu povo qualquer religiosidade ou a não religiosidade. “Ele possibilita a coexistência de várias crenças ou comunidades religiosas em seu território”, explica. Ela destacou que a perseguição a algumas crenças no Brasil, como as religiões de matriz africana, é consequência de fatos históricos.

“A colonialização injetou em nossa sociedade a ideia de superioridade do branco europeu em relação aos negros. Por isso, muitos tentam invisibilizar essas crenças, já que não podem fechar terreiros utilizando a força policial, como se fazia antigamente. Uma forma de invisibilizar foi a atitude de um juiz que deu ganho de causa à Igreja Universal em uma ação na qual membros do Candomblé exigiam a retirada de vídeos no youtube que ofendiam suas crenças. Para justificar a sentença, o juiz alegou que o Candomblé não é uma religião”, recorda Célia.

Ainda de acordo com a professora da Faculdade Salesiana, o fundamentalismo religioso é um sistema no qual as pessoas se apresentam como portadoras exclusivas da verdade e da solução única para problemas de ordem epistemológica, econômica, política e de gênero.

Os próximos debates a serem realizados pela Equipe de Juventude do Cebi serão sobre aborto de democratização da mídia.