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Fake News

Fake News
1 de março de 2022 Comunicação

 

Por: Sebastião Catequista.*

 

Nos dias atuais não existe uma só pessoa que possuindo smartfone não esteja em grupos no WhatsApp. Ele chegou e faz parte como um “bem primário” da vida moderna e das novas gerações. Aí circulam mensagem de texto, cards, vídeos, etc, sobre “tudo” e sobre “nada” que tenha alguma utilidade. Sou um dessas tantas milhares de pessoas que de instante em instante passa o olho no aplicativo para ver o que há de “novo” e se percebo algo “interessante” que é conveniente compartilhar, assim procedo. Quem não o faz?

Faz parte da democracia e da liberdade de expressão a comunicação. Somos seres altamente comunicativos. Comunicamos de tudo e usamos todos os meios possíveis para dizer algo, para expressar, comunicar o que sentimos, o que pensamos, o que concordamos e discordamos. Não sabemos sermos de outro jeito. Somos seres de relações.

Também somos seres sociais, religiosos, políticos, utópicos, sonhadores! Lutamos por aquilo que acreditamos e damos a vida quando entendemos que aquilo pelo qual lutamos nos dá sentido.  É o que aconteceu por exemplo, com quem lutou num contexto de ditadura pela democracia, pelos seus sonhos. Lutaram para que a geração de agora pudesse usufruir e fazer elas também sua história de vida como pessoas livres, e como povo, como nação. Muita gente deu a vida por isso. Acreditaram no sonho, na utopia de que um dia seria realidade sua luta, ainda que aqui não estivesse. E foram muitos brasileiros!

E assim, muitos de nossa geração lutaram e lutam para empolgar, motivar, e ensaiar com a geração de agora, um novo tempo. A luta é permanente e os desafios são muitos.

Naquele tempo como em tantos outros tempos, mentiras foram contadas e espalhadas como verdade com o único propósito de manter o sistema e fazer com que, as elites se mantivesse com seus status a custa do povo. Com o passar dos anos e dos tempos, novos meios de manter essa tática apareceram. Hoje com as mídias sociais, com os aplicativos sofisticados, em segundos, falsas notícias se espalham com uma velocidade incrível e de repente, está em todos os cantos e lugares. E tem até nome para isso: fake news.

Foram graças as fake news que no Brasil de uns tempos para cá, a democracia foi colocada em risco. O povo se deixou enganar e até contribuiu para que assim acontecesse.

A cada quatro anos somos convocados a “escolher” nossos governantes. Escolher qual projeto político queremos para nortear nossas vidas, nossos sonhos, nossas utopias por mais quatro anos. É o que fazem as nações onde a democracia impera. Temos a oportunidade de parar, avaliar-nos como pessoa, como coletividade, como nação e, olhando para o futuro, ensaiamos com a opção escolhida novos rumos.

Porém, de uns anos para cá, as elites com o voto do povo vem se alternando no poder. Para chegar a ocupá-lo lança mãos de toda sorte de artifícios entre os quais as fake news. Passadas as últimas eleições muitos perceberam no “fiasco” que se colocaram e colocaram a todos e o destino da nação. Deixaram se enganar! Não “abriram os olhos”, por motivos cômodos e por ódio pensando ser indignação com tudo o que aconteceu antes e durante toda a campanha eleitoral.

Como resultado um candidato ganhou as eleições sob o signo da mentira. Arrastou a muitos para si. Se fez “ídolo”, instrumentalizou a comunicação, a religião, e disseminou seu discurso de ódio com as tais fake news. E não tenha uma só pessoa que por meio de seu smartfone não tenha compartilhado tais fake news. Inocente ou não.

De uma hora para outra, nos aplicativos e nas redes sociais, se viu e se compartilhou milhares de falsas notícias bipolarizando o processo eleitoral. Todos/as nós compartilhamos essas notícias. Acreditávamos que era verdade, a mais pura verdade. Ao redor desse país não tenha um só canto que não recebeu e não repassou adiante as falsas notícias ou fake news.

Seus conteúdos mexiam com o nosso senso de justiça, com nossos sentimentos, com nossa indignação, com nossa vontade de mudança… só não víamos e nem entendíamos que o pano de fundo estava na verdade o ódio e a cegueira, escondendo algo mais profundo. Desse modo agimos de “cabeça quente” como alguém que sem pensar dá um “tiro no próprio pé”.

Passada a euforia do momento eleitoral o projeto vencedor se revelou uma farsa e foi de todo desastrado para a população, sobretudo as minorias e excluídas.

Mas há quem diga que não. Não consegue sair de “sua bolha”, “seu mundinho”, de sua “adoração” pelo eleito; e não consegue ver ao seu redor a imensa maioria desempregada. Não percebe a fome, os sonhos de muitos “derrubados” no chão. Não percebe que vivemos um crise na saúde e com a chegada da pandemia o vírus COVID-19 matou mais de meio milhão de pessoas por ai; enquanto em nosso país o governo ria, debochava, fazia piadas e a cada aparição pública semeava discórdia, divisão e confusão no meio do povo. Essa sua postura demostrou que não havia dignidade nele para o posto que ocupava. Inclusive, estava “atolado até o pescoço” na lama da corrupção. É o que nos dizem os jornais e a grande mídia. E o tempo foi passando, foi passando…Seus “devotos” não o deixou de lado, continuou acreditando que “ele” era o “cara”, o “messias” “salvador” da “pátria”. Não abriram os olhos para o que está acontecendo ao seu redor, aos seus semelhantes. Bem poucos e põe poucos nisso, conseguiram se libertar dessa cegueira e se arrependeram.

E agora novo horizonte já se anuvia: chegou o tempo de novas eleições.

E mais uma vez temos que lhe dá com as eleições em um cenário onde tudo é teatro, mentiras, acusações, boicotes, etc. E lá vem mais uma vez o recurso predileto daqueles que a si interessa vencer: as Fake News.

Olha, não sabemos quanto a você, mas entendemos que temos que nos reeducar. Não podemos fechar os olhos e fazer de conta que tudo está bem e que aqueles que estão no poder não usarão os mesmos meios que usaram para vencer as eleições. É preciso acordar! A corrida começou!

Por isso proponho que, respeitando o processo democrático, respeitando a liberdade de expressão das pessoas, o gosto pelas preferencias políticas, não nos deixemos levar a primeira vista pelos tantos vídeos e mensagem que postam nos grupos das mídias sociais e nos aplicativos como o whatsApp. Mesmo que seja comprovada as suas fontes, não o faça. Pois por certo, estaremos disseminando fake news. Mas aí você pode argumentar: E se for verdadeiro e eu concorde, deixar de repassar não é ficar em cima do muro? Sim! Mas como criativos que somos, poderemos ser bem mais verdadeiros, se podermos “convencer” os outros pela comunicação “corpo-a-corpo” com  nossa própria verdade sem precisar utilizar essas mensagens e vídeos que nem “deus sabe” o que está por trás…  sejam eles da “direita” da “esquerda” ou do “centrão”. Precisamos barrar as fake news, não o processo eleitoral e a luta pelo que acreditamos ser o melhor pelo país.

As fakes news tem um propósito: Criar no meio do povo falsas esperanças. Dividi-lo, incentivar seu ódio, agir por impulsividade, criar e manter conflitos, e atitudes de violência seja física, psicológica, verbal, ou corporal. Elas nos faz “fechar” nossos “olhos” (capacidade de análises) para a verdadeira realidade e mexe com nossos sentimentos, sobretudo de indignação, levando-nos a agir impulsivamente.

Quanto aos vídeos e seus conteúdos sendo verdadeiros ou não, devemos nos perguntar que sentimentos ele nos causa. Que tipo de atitudes e sentimentos ele te sugere. Aprenda a se escutar, a ver suas reações perante essas mensagens. Não sei quais critérios poderemos usar para checar a veracidade de seus conteúdos, mas com certeza, um critério creio que pode nos ajudar seja justamente “ver” o que se passa de verdade ao nosso redor. Pessoas estão desempregadas cada vez mais em números crescentes; o SUS está sucateado; a saúde está um caos; a fome está assolando cada vez mais; as pessoas estão cada vez mais intolerantes umas com as outras, sobretudo, na “esfera” do mundo religioso [perceba como a violência tem crescido sobre alguns grupos religiosos]; elas preferem sair do mundo real para o mundo virtual por muitos motivos; la fora, nosso país serve de piadas; de uma hora para outra, todos estão enojados de política mas ao mesmo tempo mantém posturas fechadas quanto ao tema; cresce o número de violência contra as mulheres, os jovens, os negros, os indios… No frigir dos ovos, não é a fake news o problema maior, mas nós mesmos no lidar com o poder. O poder de decidir, o poder de fiscalizar, o poder de sermos honestos pelo menos uma vez, o poder de tomar as rédeas nas mãos, o poder de ter que lhe dá com a liberdade, com o trabalho, a economia, com os nossos sentimentos e com os nossos destinos pessoais, e dos outros. Estamos “perdidos” nessa complexidade de relações e ninguém pode nos ajudar a não ser nós mesmos como indivíduos e como coletividade; e o primeiro passo talvez seja, nos escutarmos a nós mesmos, abrindo nossos olhos reais para a realidade que aí está… o resto todos sabemos como fazer. Eis um bom critério de julgamento sobre vídeos e mensagens que as “antenas” de nosso “desconfiômetro” se estiverem ligadas, precisa praticar. Saber a quem interessa, porque, a quem fortalece tal vídeo e tal mensagem, o que realmente ela traz de verdade da realidade e o que isso causa em nós, em mim e em você, é essa a “pista” que damos, além das corriqueiras orientações que você já está cansado/a de saber.

Enfim, é tempo de eleição e não participar, não votar é boicotar a si e aos outros, ou ficar em cima do muro que dá no mesmo: manteremos essa situação vigente insustentável como se tivesse “tudo bem” e “nada de novo” acontece debaixo do sol.

Não votar seja por quais motivo for é fugir de nossa responsabilidade pessoal e de quem somos, sobretudo na hora de decidir os destinos da nação. Lembre-se de quantos morreram para ter a nação livre, democrática, soberana que temos hoje. Tudo bem que somos livres para escolher participar ou não das eleições, de votar ou não, mas esse direito não nos permite à liberdade de prejudicar a vida de uma nação, quando dela também fazemos parte decisiva. A liberdade não nos “dá o direito” de “fazer o mal” mas de “salvar vidas”. Votar é exercer a liberdade e o direito de salvar vidas, a vida dos que amamos, a vida da nação.

Não sei se você quer isso para si e para os seus. Só sabemos que a cada quatro anos temos a excelente oportunidade de ensaiar de novo, novas esperanças, novo devir. Mesmo que dê certo ou errado…continuamos ainda assim, ensaiar. Porque é próprio de nós seres humanos a inquietação e a mudança, o sonho e a utopia.

De olho nas fake news, que possamos fazer um processo eleitoral honesto e não cair nessa de repassar vídeos seja de quem for, para mudar, convencer a nós outros de que “alguém” está “errado”. Já sabemos disso, e cada um já tem seu candidato, a questão é: você topa mudar para algo mais profundo de que só as eleições? Então convença honestamente seu semelhante disso sem o uso de “artimanhas”. Olha ao seu redor, veja como está o povo! Não precisamos de fake news, precisamos abrir os olhos, enxergar o outro, o vizinho, a praça, a rua, e os jornais e redes sociais com senso e olhar crítico.

As eleições é apenas uma parte de um processo muito maior, não é um fim em si mesma e fazê-la, participar honestamente do seu processo, garante lá na frente, a concretização daquilo que todos nós buscamos enquanto indivíduo, enquanto povo, enquanto nação: vida digna, boa e justa para todos.

 

 

 

 

* É membro do CEBI PE, faz parte da Coordenação Estadual pela Região Agreste. Trabalha na Educação Popular de jovens e adultos nas Comunidades da ICAR na Diocese de Caruaru/PE.

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