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Sabedoria, prudência e vigilância na fé

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Lecionário Comum Lecionário Católico
Am 5.18-24
Sl 70
1 Ts 4.13-18
Mt 25.1-13
Sb 6,12-16
Sl 62(63),2.3-4.5-6.7-8 (R. 2b)
1Ts 4,13-18 ou mais breve 4,13-14
Mt 25,1-13

Por Gilson Dias

Membro do CEBI do Amazonas @cebi.am [email protected]

Estamos perto da conclusão do ano litúrgico, e os textos deste domingo nos convidam à reflexão sobre a prudência, a vigilância e a vivência da fé.

Na leitura do Livro da Sabedoria (Sb 6,12-16), observamos que a obra foi escrita em língua grega, provavelmente por um grupo de judeus que vivia na diáspora, na cidade de Alexandria, sendo tradicionalmente atribuída a Salomão. Ela traz uma mensagem de resistência diante da forte interferência de culturas estrangeiras sobre o judaísmo, a exemplo da idolatria e, consequentemente, das perseguições enfrentadas pelos judeus durante o período do exílio e da dominação estrangeira.

Diante disso, o sábio é defensor da fé! O autor questiona: onde encontramos a sabedoria? Ele mesmo responde: “É encontrada por aqueles que a procuram. Ela até se antecipa, dando-se a conhecer aos que a desejam. Quem por ela madruga não se cansará, pois a encontrará sentada à sua porta” (Sb 6,13).

É interessante pensar que, no mundo de hoje, cada vez mais tecnológico, precisamos perguntar: o que é ser sábio? O que significa buscar a sabedoria? Vivemos tempos em que muitas pessoas são absorvidas por informações, mas não fazem o devido discernimento sobre o que é verdadeiro ou falso. Muitas preferem o conflito e o embate, julgando-se “defensoras da fé, da moral e da família”.

Ser sábio é também compreender as imperfeições da vida e as dificuldades pelas quais todos passamos. Quem busca a sabedoria traz tranquilidade para si e para aqueles que estão ao seu redor. Uma pessoa sábia é mansa! Uma pessoa sábia acalma nossas aflições, é acolhedora! Ela compreende o lugar e as circunstâncias em que se encontra e sabe como se posicionar. Ao contrário disso, alguns “líderes” religiosos, que passam horas gritando e esbravejando nos canais de comunicação, estão muito distantes da verdadeira sabedoria. Pelo contrário, acabam deixando as pessoas nervosas e sem paciência.

A sabedoria, em muitas culturas, é representada pela figura de uma mulher. Os povos andinos consideram a Pachamama, a grande mãe, a mãe Terra, a mãe da sabedoria. Ela é uma figura que representa perfeitamente esse contexto: a mulher sábia, geradora e promotora da vida!

A sabedoria também está relacionada ao tempo que vamos acumulando em nosso corpo. Os cabelos brancos e as rugas são sinais de que temos uma longa caminhada e de que essa trajetória tem muito a nos ensinar. Por isso, o texto também nos convida a uma importante reflexão sobre o cuidado e a escuta dos nossos idosos. A sabedoria também é movimento. Ela vai ao encontro daqueles que a amam.

Esse movimento encontramos em Jesus, Filho de Deus, que se humanizou para compreender nossas aflições, nossas fraquezas e nossas dificuldades. Olhar para o texto de hoje é refletir também sobre como a bondade de Deus se revela na vida dos que creem e mantêm viva a oração, o serviço e a caridade.

A Primeira Carta de Paulo aos Tessalonicenses trata de como seria a segunda vinda de Cristo. É importante destacar que a comunidade de Tessalônica sofria influência de diversos povos e grupos religiosos. Podemos considerar que aquela pequena comunidade, onde Paulo pregou por pouco tempo, estava inserida em uma verdadeira “salada cultural”, na qual encontramos diferentes manifestações de religiosidade.

Paulo tenta relatar como seria o retorno de Jesus, utilizando palavras que aparentemente não seriam capazes de descrever a grandiosidade desses acontecimentos. Mas é importante destacar, principalmente, o final de sua carta, quando ele afirma:

“Isto vos declaramos, segundo a palavra do Senhor: nós que formos deixados com vida para a vinda do Senhor não levaremos vantagem em relação aos que morreram” (1Ts 4,15).

O principal é compreender que, no fim, não haverá distinção entre aqueles que morreram antes da segunda vinda de Cristo e os que estiverem vivos naquele momento. A Igreja militante e a Igreja celestial estão unidas na esperança da ressurreição. Todos participaremos igualmente da promessa de Deus.

O Evangelho da comunidade de Mateus fala sobre a prudência e o cuidado. Primeiro, é importante observar que, na cultura judaica, o casamento era uma celebração que durava vários dias e era cercada de diferentes rituais, procissões e momentos de confraternização, dos quais toda a comunidade participava, direta ou indiretamente.

O próprio Jesus realiza seu primeiro milagre em uma festa de casamento. A figura do noivo que está “atrasado” remete, na tradição, ao encontro das famílias e ao momento dos acordos, para que tudo estivesse organizado antes do grande cortejo. É importante recordar que a noiva aguardava a chegada do cortejo, no qual o noivo iria buscá-la, dando início à festa de casamento. Tradicionalmente, a noiva escolhia dez amigas, que, na comparação com os costumes atuais, poderiam ser associadas às madrinhas de casamento. Elas tinham a responsabilidade de iluminar o caminho do noivo.

Jesus utiliza a metáfora do casamento para ilustrar o banquete nupcial, que representa a grande comunhão no Reino dos Céus. O noivo é o próprio Jesus, e sua chegada é aguardada. Por isso, precisamos estar preparados para a vinda do Senhor.

Houve momentos na história das primeiras comunidades cristãs em que todos imaginavam que o Senhor voltaria pouco tempo depois da ressurreição. Entretanto, os anos foram passando e as testemunhas daquela geração foram morrendo. Essa espera prolongada

acabou esfriando a fé de algumas comunidades e provocando dúvidas entre os fiéis: será que Ele realmente voltará?

Então, Mateus, de forma pedagógica, utiliza a seguinte passagem:

“O noivo estava demorando, e todas elas acabaram cochilando e dormindo. No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!’” (Mt 25,5-6).

Essa passagem nos ensina que precisamos estar preparados a qualquer momento. A noite, na linguagem simbólica do Evangelho, representa também a necessidade de não baixarmos a guarda diante das dificuldades. É preciso permanecer vigilante e não permitir que a fé se perca.

Aparentemente, a atitude das cinco jovens prudentes, que não dividiram seu azeite com as demais, pode parecer egoísta. Mas vamos traduzir essa situação para os nossos dias. A fé é uma experiência de caráter individual, mas que possui expressão comunitária. Mesmo orando uns pelos outros, não posso expressar o meu amor a Deus em nome de outra pessoa. Esse é o azeite de nossas vidas: a oração, a meditação fraterna e o encontro com Deus.

Ao mesmo tempo que o texto nos apresenta uma importante reflexão sobre o enfraquecimento da fé, também nos alerta para o fato de que o cotidiano e a rotina podem diminuir o nosso óleo, enfraquecendo nossa relação com Deus. Em alguns casos, até mesmo dentro da Igreja, acabamos caindo em uma rotina que se resume a puros rituais. Percebemos isso em muitos grupos religiosos extremistas, que acabam esquecendo a necessidade de aproximar o Evangelho da vida do povo.

Olhar para as jovens que não levaram azeite é também um convite à reflexão sobre nós mesmos, especialmente quando somos atropelados pela rotina e pelo cotidiano e acabamos esquecendo aquilo que é essencial. Quem nunca passou por isso em algum momento da vida?

Mas vamos pensar sob a perspectiva da fé: será que estamos levando aquilo que é, de fato, essencial para o nosso encontro com o noivo? O que Jesus nos dirá quando chegar o momento de nos encontrarmos com Ele? Quando batermos à sua porta, o que apresentaremos? Quantos terços rezamos, quantas missas frequentamos, quantas promessas fizemos? Ou quantas vezes realmente vivemos e anunciamos o Evangelho?

O próprio Jesus já nos apresenta essa reflexão:

“Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e estando enfermo e na prisão, não me visitastes” (Mt 25,42-43).

O próprio Jesus nos ensina que esse é o verdadeiro óleo que iluminará nossas vidas: o serviço, a caridade e o encontro com o próximo, compreendendo que Deus se faz presente no meio dos pequenos.

Aqui quero recordar um líder dos nossos tempos: Padre Júlio Lancellotti, que foi silenciado nas redes sociais e, por obediência, também silenciou. Muitas vezes, ele dizia que seu partido é o “pão partido”. Outra frase atribuída a ele expressa muito bem essa perspectiva: “Eu não luto para vencer, eu sei que vou perder. Eu luto para ser fiel até o fim.”

Isso é o óleo que mantém sua lâmpada acesa: o Evangelho e a constância na fé! Padre Júlio, um homem com mais de 80 anos, que é frequentemente atacado e difamado por grupos extremistas, não desiste de seguir seu propósito e de testemunhar o exemplo de Jesus.

“Deus não se revela a partir da grandeza, mas do que é insignificante. Se queremos aprender sobre o amor de Deus, devemos desviar nossos olhos do poder e focar no sorriso de um idoso, na fragilidade de um jovem abandonado. É aí que o amor de Deus se revela.”

Pe. Júlio Lancellotti. Amor à maneira de Deus. São Paulo: Planeta, 2021.

Como sugestão para aprofundar nossa vida de oração, recomendo a leitura do livro do CEBI Rezar os Salmos Hoje. Essa obra procura abrir uma porta para a casa dos Salmos e encontrar, em seu interior, um lugar aconchegante e íntimo com Deus, onde podemos louvá-lo e fortalecer nosso compromisso com o Reino de Deus e sua justiça.

Com o objetivo de nos ajudar a rezar os Salmos como o prato de cada dia, o livro apresenta uma chave de leitura e perguntas que aproximam cada Salmo da nossa realidade e da nossa vida cotidiana.

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