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Reflexão do Evangelho: Ele viu e acreditou

Reflexão do Evangelho: Ele viu e acreditou
9 de abril de 2020 Zwei Arts

Leia a reflexão sobre João 20,1-9, texto de Tomaz Hughes.

Boa leitura!

Os quatro evangelhos relatam os acontecimentos do Dia da Ressurreição, cada um de acordo com as suas tradições.  Porém, certos elementos são comuns a todos: o fato do túmulo vazio, que as primeiras testemunhas eram as mulheres (embora divirjam quanto ao seu número e identidade e o motivo da sua ida ao túmulo para ungir o corpo ou para vigiar e lamentar), e de que uma delas era Maria Madalena. Podemos tirar disso a conclusão que as mulheres tinham lugar muito importante entre o grupo dos discípulos de Jesus e que elas eram mais fiéis do que os homens, seguindo Jesus até a Cruz e além dela.  Infelizmente, gerações posteriores fizeram questão de diminuir a importância das discípulas na tradição, de modo que a Igreja sofre até hoje as consequências dessa diminuição do protagonismo delas.

Lendo os relatos, um fato salta aos olhos: ninguém esperava a Ressurreição.  Para os discípulos, a Cruz era o fim da esperança, a maior desilusão possível.  Se somarmos a isso o fato que todos os Doze traíram Jesus (ou por dinheiro, ou por covardia), podemos imaginar o ambiente pesado entre eles na manhã do Domingo.  Nesse clima tenso, chega Maria com a notícia de que o túmulo estava vazio. Ela, naturalmente, pensa que o corpo tinha sido roubado.  Ressurreição? Nem pensar!

No nosso texto, Pedro (que tem um papel importante nos textos pós-ressurrecionais) e o Discípulo Amado (anônimo, para indicar os discípulos e as discípulas fiéis de ontem e de hoje) correm até o túmulo. O texto deixa entrever a tensão histórica que existia entre a comunidade do Discípulo Amado e a comunidade apostólica (representada por Pedro). Pois o Discípulo Amado espera por Pedro (reconhece a sua primazia, dando-lhe uma chance para também acreditar). Porém, enquanto Pedro vê sem crer, o Discípulo Amado acredita.  No Quarto Evangelho, Pedro somente vai conseguir amar Jesus no Capítulo 21 (que é um acréscimo a este Evangelho), enquanto o Discípulo Amado é o tal desde Capítulo 13. Só quem olha com os olhos do coração, do amor, consegue ver além das aparências!

Como em Lucas 24, na historia dos Discípulos de Emaús, o texto demonstra que a nossa fé não está baseada num túmulo vazio.  Não é o túmulo vazio que fundamenta a nossa fé na Ressurreição, mas o contrário. É a experiência da presença de Jesus Ressuscitado que explica o porquê de o túmulo estar vazio.  Cuidemos de não procurar bases falsas para a nossa fé no Ressuscitado!

Hoje, quando olhamos para o mundo ao nosso redor, é fácil não acreditar na vitória da vida sobre a morte.  Há tanto sofrimento e injustiça – guerra, violência, corrupção endêmica, salários minguados, aposentadorias (dos trabalhados, claro, não da elite!) ameaçadas, saúde e educação sucateadas, sem falar de desastres naturais. Só uma experiência profunda da presença de Jesus libertador no meio da comunidade poderá nos sustentar na luta por um mundo melhor, com fé na vitória final do bem sobre o mal, da luz sobre as trevas, da graça sobre o pecado. Todas e todos nós somos discípulas e discípulos amados, pois “nada nos separa do amor e Deus em Jesus Cristo” (cf. Rm 8). Mas, será que somos também discípulos amantes? Será que amamos a Jesus e ao próximo? Lembramos que o ágape, o amor proposto pelo Evangelho, não é um sentimento, mas uma atitude de vida, de solidariedade, de partilha, de justiça. “O amor consiste no seguinte: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e nos enviou o seu Filho como vítima expiatória por nossos pecados.  Se Deus nos amou a tal ponto, também nós devemos amar-nos uns aos outros” (1Jo 4,10-11).

Que a mensagem da Ressurreição, da vitória da vida sobre a morte, nos anime e nos dê força, especialmente quando a Cruz pesar muito em nossas vidas.