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O TRIGO, O JOIO E OS SEMEADORES (Mateus 13,24-30) – SOMOS PELA JUSTIÇA OU PELA INIQUIDADE?

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Lecionário Comum Lecionário Católico
Is 44.6-8
Sl 86.11-17
Rm 8.12-25
Mt 13.24-30, 36-43
Sb 12,13.16-19
Sl 85(86),5-6.9-10.15-16ab (R. 5a)
Rm 8,26-27
Mt 13,24-43 ou mais breve 13,24-30

Equipe do Regional Sul e Sudoeste do CEBI Minas

Na realidade da vida, seja na família, na comunidade ou na sociedade, existe o conflito básico. De um lado, está quem é pela justiça, representado, na parábola de Jesus, pela semente do “trigo” do Reino por ele semeada. De outro lado, está quem é pela iniquidade, representado pela semente do “joio”, semeada pelo Maligno.

O “trigo” representa quem busca primeiro o Reino de Deus e a sua justiça. Na parábola, o “trigo” são as pessoas “justas”. E elas brilharão como o sol no Reino do Pai (v. 43). O “joio” representa quem pratica a “iniquidade” e a “maldade”, semeadas pelo Diabo (vv. 41.49). Aqui, é bom lembrar que, na cena das tentações de Jesus, o Diabo quis semear no coração dele o “joio” do status, do poder e da riqueza. Jesus, contudo, resistiu frente a essas tentações. Diante disso, podemos perguntar-nos: Sob que forma esse “joio” do status, do poder e da riqueza está presente em nossas vidas, em nossas comunidades e no mundo? Onde e como está presente hoje a semente do “trigo” da justiça do Reino?

Que as sementes ruins estão por aí sendo jogadas no mundo é um fato. Seja no espaço físico perto da gente e, principalmente, pelos meios digitais. E o pior é que nesses meios não é necessário dar nenhum tipo de explicação de como são essas sementes. Simplesmente elas são jogadas e em boa parte do terreno onde elas caem nascem ideias ruins, ideologias agressivas que vão deixando as comunidades doentes, com brigas e divisões.

A partir dessa parábola, muitos desafios se colocam diante de nós. Eliminar essas sementes ruins depois de germinadas é bem mais dolorido do que evitar que sejam plantadas. E acho que é aí que falhamos. Enquanto estamos dormindo deixando de proteger os campos das sementes ruins, o outro lado está ávido em espalhar muito joio entre nós.

Precisamos jogar mais sementes boas e estarmos atentos olhando para o campo para protegê-lo. Acreditar sempre que o Senhor Deus nos ilumina na prática da Justiça que extermina o joio do nosso meio, inclusive de nós mesmos.

Da prática orante de Jesus, aprendemos a cultivar uma espiritualidade em quatro dimensões e que nos torna radicalmente livres. São as atitudes de comunhão plena com Deus, conosco, com as outras pessoas e com a natureza, o mundo, o universo inteiro.

A primeira atitude é cultivar a comunhão profunda com Deus. E Deus é amor. Ele nos ama e está conosco. E Jesus nos pediu para amar a Deus com todo o nosso ser. Ser “trigo” é beber dessa fonte de amor e da justiça do Reino. É deixar-me transformar pela misericórdia do Pai. Essa energia amorosa do Reino parece imperceptível em nosso meio, tal como a semente da mostarda e o fermento na farinha. Sua força, porém, é tamanha ao ponto de a semente tão pequenina se transformar em arbusto; e o fermento tão pouco levedar a massa toda.

A segunda atitude é cultivar a comunhão profunda comigo. É ser radicalmente livre, é estar em paz comigo, é ter autoestima. Jesus pediu que amemos a nós mesmos. Amar o próximo “como a si mesmo”, disse ele. E amar-me é cultivar dentro de mim a semente do “trigo” da justiça do Reino, de um lado, e, de outro, enfrentar o “joio” da injustiça. Temos dentro de nós tanto o “trigo” como o “joio”, tanto o bem como o mal. Não basta enfrentar, lá fora, o “joio” da iniquidade que quer dominar o mundo. É preciso enfrentar o “joio” do egoísmo, da intolerância e do ódio, “joio” esse que também está dentro de nós. Em contrapartida, importa fortalecer, dentro de nós, o “trigo” da justiça do Reino.

A terceira atitude, além de estar em sintonia com Deus e comigo, é cultivar a comunhão com as demais pessoas. Disseminar notícias verdadeiras e boas no nosso meio; seja nas redes ou em nosso espaço físico (trabalho, escola, família, barzinho, Igreja) e ao mesmo tempo estar atento para combater Fake News. Fazer isso sempre baseado no Evangelho, no amor e na prática de Jesus.

Ele também não nos pediu que amemos somente a nós, mas que é preciso “amar o próximo” como a si mesmo. E amar o próximo é cultivar o “trigo” do respeito e da entreajuda, da empatia, da solidariedade e do abraço. O “trigo” do respeito nos leva a superar o “joio” da intolerância em relação a quem é diferente ou pensa diferente de mim. Respeitar, inclusive, quem se encontra em estado de dissonância cognitiva e cultiva o “joio” do ódio e da mentira, da intolerância e da violência. Precisamos não ter tolerância para com o ódio, a mentira e a violência, mas precisamos saber dialogar respeitosamente com quem pratica tais iniquidades. E esse diálogo respeitoso tanto é importante na família, quanto na comunidade, como na sociedade.

Convém que superemos a ideia de que somente eu e quem pensa como eu somos o “trigo”, os eleitos e as pessoas de bem, enquanto os outros são o “joio”, os pecadores, os impuros e os alienados. E ser “trigo” no mundo repleto de “joio” não é nada fácil. Ser “trigo” é lutar em favor da justiça contra a iniquidade. E sabemos que o “joio” semeado pelo Diabo é intolerante, mentiroso e violento. Que a comunhão com Deus, conosco, com o próximo e com a natureza nos fortaleça diante das calúnias e das perseguições, pois, disse Jesus: “Felizes as pessoas perseguidas por causa da justiça, pois delas é o Reinado de Deus”.

Por fim, a quarta atitude é o cultivo da comunhão com o mundo, com a natureza, com o universo. Ser “trigo” é amar toda a natureza em sua unidade e diversidade. É dela cuidar. Não estamos em meio à natureza, fazemos parte dela. “Tudo está interligado como se fossemos um. Tudo está interligado nesta casa comum”.

Jesus era para os apóstolos um influenciador. Imagina Jesus em um canal de Youtube ensinando os seus seguidores. Se os seguidores esfriam, então, o canal perde o sentido. Jesus sempre foi muito carinhoso e dedicado na hora de transmitir suas ideias de um mundo mais humanizado. Que tal tentarmos ser mais eficientes ao espalhar as sementes protegendo o campo, acreditando no amor, independente do nosso tamanho e acreditando que o Espírito Santo é o fermento que age em todos nós para transformar nosso espaço físico (sociedade, comunidade) e as redes digitais? E acreditando que a prática da justiça extermina o “joio” do nosso meio.