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O tesouro da vida: Achar a vida! (Mateus 13,43-44)

Cabecalho

Por Claudio Augusto

Nesse momento nossa solidariedade com o povo venezuelano é de que o número de pessoas desaparecidas, seja cada vez menor. Diante da natureza e suas manifestações, ficamos sem palavras para explicar como isso nos impacta, uma vez que somos nós que estamos na linha de frente da natureza e diante dela somos impotentes, resta agora procurar as pessoas que estão desaparecidas, cada encontro é uma felicidade sem fim, cada profissional especialista em achar pessoas é acompanhado com toda atenção: olhos, ouvidos (quem tem ouvidos para ouvir: Ouça v. 43) e um pedido a Divina Graça para que seja mais uma vida a ser encontrada, nem mensuro o que é procurar alguém querido no meio da montanha de concreto e ferros.

Nessa busca desesperada por sobreviventes entre o concreto partido e o ferro retorcido na Venezuela, compreendemos, de forma dolorosa e real, o que Jesus quis dizer ao comparar o Reino de Deus a um tesouro escondido no campo ou a uma pérola preciosa pela qual se abre mão de absolutamente tudo.

Para aquelas famílias e para os socorristas na linha de frente, o tesouro oculto sob os escombros não é o ouro, o dinheiro ou os bens materiais que a força da natureza transformou em pó em poucos segundos. O tesouro escondido ali é a vida humana. Cada batimento cardíaco abafado pela terra, cada voz fraca que clama por socorro sob os blocos de cimento, passa a ser a pérola mais valiosa do universo. Para resgatá-la, os profissionais e voluntários vendem suas próprias seguranças: doam suas forças, seu tempo, seu sono e desafiam o perigo de novos desabamentos. Eles abrem mão de tudo pelo valor inestimável de uma única vida salva.

Trazendo essa analogia para o nosso cotidiano e para o mundo atual, percebemos que também vivemos em meio a escombros invisíveis. O ritmo frenético da modernidade, o individualismo, o estresse urbano e o apelo constante ao consumo funcionam como “montanhas de concreto espiritual” que soterram o que realmente importa. Muitas vezes, caminhamos anestesiados pela superfície da vida, sem nos dar conta de que o Reino de Deus está logo ali, camuflado e escondido nas pequenas coisas do nosso dia a dia.

Procurar o Reino de Deus hoje exige de nós a mesma postura daqueles que buscam sobreviventes na Venezuela: atenção absoluta. É preciso ter olhos atentos para enxergar a dor do próximo por trás das telas dos celulares; é preciso ter ouvidos limpos para escutar os sussurros de quem pede ajuda em silêncio dentro de nossas próprias casas ou comunidades. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça o clamor que vem debaixo das estruturas pesadas deste mundo.

Encontrar o Reino de Deus no cotidiano (v.44) é ter a coragem de cavar fundo na nossa rotina para resgatar a empatia, a solidariedade e a justiça. Quando decidimos desacelerar para acolher alguém, quando dividimos o pão, ou quando lutamos pela dignidade comum, estamos abrindo mão das falsas seguranças do sistema para comprar o “campo” onde o verdadeiro tesouro está guardado.

Que a Divina Graça nos conceda a perseverança dos socorristas. Que no meio das adversidades, das perdas e da impotência diante das forças do mundo, nós nunca desistamos de cavar, de procurar e de celebrar cada pequena manifestação de vida, de amor e de comunhão — pois é nelas que o Reino de Deus se deixa encontrar, trazendo uma felicidade sem fim.

Ps. Nesse momento segundo a ONU, os números oficiais de desaparecidos são de 50.000 pessoas.