Reflexão do Evangelho

O Reino de Deus Exige Prioridade

Neste domingo, a fim de aprofundarmos as reflexões sobre o Evangelho segundo São Mateus 13,44-52, partilhamos a reflexão bíblica da pastora luterana Maristela L. Freiberg e os depoimentos do padre Raimundo Gordiano e do Sr. Francisco Jovane, do CEBI-AM.


Pra início de conversa

O conjunto de nossos textos fala de discernimento e justiça. Através do Espírito Santo é que nós somos capacitados/as a optar pela justiça. Julgar não é função nossa, mas discernir, sim. Com a presença do Espírito, discernir é um processo inevitável e impulsionador, que gera mesmo as mudanças mais radicais.

Neste texto o evangelista Mateus mostra um Jesus que dá ênfase ao ensino. O cap. 13 contém o terceiro grande discurso que reúne sete parábolas, das quais três estão em nosso texto. As parábolas mostram como a comunidade de Mateus entendia sua maneira de fazer teologia, como lidava com a sua fé. Nas parábolas, não só o conteúdo é importante, mas também a metodologia, a qual aponta para a formação da comunidade e sua mobilização no cotidiano para encontrar o tesouro: a presença de Deus. Nas três parábolas existe uma metodologia comum: primeiro, identifica-se o achado ou o separado com algo valioso. Segundo, o tesouro é encontrado no meio da ação. É o Espírito de Deus que nos invade e nos faz agir. Terceiro, o tesouro fixa as pessoas ao chão e não as arrebata ao céu.

A intenção pedagógica de Jesus nas parábolas é levar as pessoas a pensar, ver, sentir, perceber, compreender. Não são apenas lições a serem aprendidas. As parábolas não surgiram dos discípulos com a intenção de animar as pessoas, mas surgiram da vida das pessoas e se tornaram liturgias para animar as comunidades. Como já disse, nas parábolas não basta perguntar pelo conteúdo, por sua mensagem, mas é preciso estar atento àquilo que as pessoas experimentam. A razão perde seu papel hegemônico para a valorização da sensibilidade e da experiência!

O especial nas parábolas é que falar sobre Deus é falar das pessoas, e aí encontramos o extraordinário, a novidade de Jesus que provocou espanto. Para falar sobre o Reino, Jesus não falou sobre coisas de outro mundo, de além-terra, mas sobre coisas e atitudes de seres humanos. Por isso, a multidão entendeu o que ele falou (v. 52), pois o Reino tem a ver com coisas deste mundo, com pessoas, campo, trabalho, alegria, praia, peixes bons para comer, lágrimas. O Reino é extraordinário justamente porque é ordinário. Mas, mesmo estando entre nós, manifestando-se nas nossas coisas, ele nos seduz.

 

Aspectos do texto

  1. 44: Neste versículo, temos a parábola do tesouro. O tesouro está escondido no campo. O lavrador que o encontra, reconhece-o e é conquistado por ele. O lavrador esconde o tesouro e não o consegue mais esquecer. A lembrança do tesouro leva a uma atitude concreta, motivada pelo desejo, porque faz brotar no coração a memória do amor. A decisão tomada é acompanhada de alegria, profunda alegria pela vida. Isto indica a qualidade da decisão, a qual suscita um novo tipo de vida, de compromisso com o Reino. É bom não se esquecer de que o lavrador compra não apenas o tesouro, mas o campo todo.
  2. 45: Aqui, começa a parábola da pérola preciosa. É a duplicação da parábola anterior. O trabalho do comprador de pérolas consiste em procurar pérolas.
  3. 46: No meio do seu trabalho, uma pérola se destaca. Ela tem valor incomparável. Mesmo que o comprador nunca tenha trabalhado com tal raridade, ele sabe que ela exige o penhor de todos os seus bens.

Tanto o lavrador quanto o comprador de pérolas fazem a experiência do que nunca esperavam: receberam uma preciosidade, diante da qual os demais valores empalidecem.

  1. 47: Aqui muda a figura de linguagem. Contudo, permanece a temática do ensino sobre o Reino de Deus. A rede de que se fala aqui é o arrastão que se vê na praia.
  2. 48: O arrastão traz peixes de todo tipo, inclusive outros bichos mais, e exige uma triagem. A triagem é tranquila e absolutamente necessária. Os critérios são objetivos. Um pescador que conhece jamais vai pôr no cesto dos peixes da cozinha aqueles que vão intoxicar ou estragar o paladar.
  3. 49: Aqui aparece a visão escatológica do autor. O julgamento não será a partir de critérios subjetivos. Deus conhece justos e injustos, eles estão dentro da mesma rede, da mesma realidade.
  4. 50: Sem fatalismos, precisamos admitir que, a partir do texto, o julgamento é um processo de decisão bastante radical. Só tem peixe bom ou ruim, não tem os mais ou menos.
  5. 51: Neste versículo, temos a comprovação prática da eficiência da didática de Jesus. “Entendestes todas estas coisas?” A resposta parece unânime e segura: Sim.
  6. 52: Neste versículo, aparece novamente a palavra tesouro, que apareceu acima no v. 47. Depois de já ter recebido a confirmação de que o pessoal entendeu o recado, não custa arrematar evidenciando mais uma vez o tema central. Quanto à figura do discípulo como escriba, é uma perspectiva típica de Mateus. Assim, diz que toda pessoa que entende, sabe que é preciso constantemente saber discernir, pois as coisas novas e velhas estão dentro do mesmo baú. Não tem arrastão que traz só peixes bons nem apenas pérolas valiosas, tampouco o tesouro está fora do campo onde estão o joio e o trigo.

 

Ampliando a reflexão

  1. Palavras de Jesus ou palavras de pessoas da época

A partir deste ponto de vista, é importante destacar que a mensagem está enfronhada em figuras de linguagem quase humanas demais e até perigosas para o nosso tempo. Em nosso texto aparecem dois exemplos que podem se encaixar perfeitamente em nosso sistema de sociedade: o tesouro e a pérola.

Analisando a parábola do tesouro, percebe-se que o homem descobre o tesouro, compra o campo e tem a posse dele. Trata-se de um gesto individualista e por demais comercial. Jesus não pode ter falado assim sem considerar uma série de ressalvas, que, contudo, não aparecem no texto. A parábola da pérola fala de forma semelhante do mundo comercial. A lei da oferta e procura está aí e é preciso ser bom negociante para fechar o negócio na hora certa. Novamente o Reino de Deus é comparado a algo do qual se pode ter posse. Não devemos nos esquecer de que o livre mercado é profundamente excludente. Não há tesouros suficientes para que todas as pessoas possam comprar o seu; tampouco todas as pessoas têm tino comercial. Olhando sob este prisma, o nosso texto é, no mínimo, bastante limitado.

 

  1. O Reino de Deus exige prioridade

Sob este ponto de vista, o nosso texto fala que o Reino de Deus implica escolha, exige decisões claras, opção de vida. O lavrador não vacila; ele vai, se desfaz de tudo o que tem para comprar o campo onde está o tesouro. Algo semelhante acontece com o comprador de pérolas. Não há família, amigos, agendas ou planejamentos que os segurem. Há um processo de mudança rápida e total. Quem busca o reino de Deus age com grande desprendimento, pois ele exige que se tome a decisão certa no momento certo.

Sem dúvida, no mundo em que vivemos, estamos bastante presos a compromissos, contratos, agendas, regalias ou condições que fazem com que as decisões sejam proteladas ou até desrecomendadas. Parece que o tesouro não convence, ou será que ainda não o achamos?

 

  1. O Reino de Deus se revela quando botamos a mão na massa!

As três parábolas iniciam com tesouros ocultos, mas nós sabemos que, com a vinda de Jesus, o Reino já irrompeu. Com Cristo, o tesouro não está mais totalmente oculto. Nós não o temos como posse, mas ele se revela constantemente. O todo do texto em pauta aponta para a força do Reino de transformar pessoas e relativizar aquilo que as prendia antes de terem feito essa descoberta. Neste sentido, a compreensão que temos do Reino vai influenciar diretamente o significado dessa opção. Como imagem do Reino, o tesouro é dádiva gratuita de Deus.

Se o tesouro vem por acaso e não depende de nossos atos ou forças, facilmente é possível cair na tentação de ficar parado esperando (de preferência numa confortável poltrona!). Entretanto, o que se percebe é que só conseguimos deparar-nos com o tesouro se nos mobilizarmos. E na atuação/ação que a novidade se apresenta e, quando ocorre, o resultado é alegria. Fora do campo, longe do arado ou sem joio, não existe tesouro. Fora do rio, distante do mar ou sem barco e rede, não existem peixes. Somente encontramos coisas velhas e novas quando vamos até o baú ou armazém. A mão precisa estar no arado, selecionando pedras, puxando a rede e selecionando os peixes, ou mexendo com coisas no baú, para ter o gozo de ser surpreendida. A ação pode transformar dores em sorrisos. Para Jesus, não se é pessoa cristã sem ser ativa, pois o Reino de Deus realiza-se, acontece no dia a dia. Este Reino só tem valor quando participamos ou somos convidados/as a participar dele.

Os gestos dos personagens de nosso texto querem afirmar nossa fé e nos ensinam a comprometer-nos com o Reino de Deus e com a construção de estruturas e relações de justiça para nós e as outras pessoas. A promessa sobre o Reino, contida no texto, aponta na direção de pessoas que se acharam, que levam uma vida com sentido, prazer e alegria. Essa alegria envolve a pessoa inteira, seu corpo, sua vida, seu tempo, seus bens e tem relação direta com quem está ao seu lado. A alegria se alimenta daquilo de que está cheio o coração — Onde estiver o teu tesouro aí estará também o teu coração (Mt 6.21). Por fim, não são os olhos que dão valor, mas o coração (Mt 13.15s). No tesouro há memória e esperança. O Reino é promessa que já experimentamos aqui e agora, mas que também ainda está por se realizar. Mãos à obra!

 

  1. Algumas breves palavras sobre a parábola da rede

Ela aponta para a consumação final. O futuro é que orienta a decisão presente: ou viver como peixes ruins e no futuro ser jogado fora, ou viver a nova justiça para ser recolhido por Deus no ato final da história humana. (Gilberto Gorgulho e Ana F. Anderson, A Justiça dos Pobres, p. 142).

Não podemos nos esquecer de que a imagem do fim tem relação direta com aquilo que se vive hoje. Decisões e opções trazem consequências. Os mesmos princípios que dão sentido à vida hoje amparam a esperança do amanhã. Por isso, se diz que a vida eterna não inicia depois da morte, mas já agora.

Na prática da Igreja, é muito forte a mentalidade do tesouro que está oculto. Por que as pessoas que estão na Igreja, muitas vezes, são apáticas, parecem sofrer o tempo todo, falta-lhes a alegria e o gosto de viver, assim como as decisões a favor do evangelho são vistas só como dificuldade? A rotina pode nos tornar pessoas cegas. Será que o drama é que na Igreja, quase sempre, vale mais o que as pessoas pensam do que aquilo que elas amam? Estarão procurando se convencer mais pelas palavras do que pelas experiências? Que tal proporcionarmos espaços, durante a celebração, para que as pessoas possam se ouvir mutuamente, ver e sentir a si mesmas e as outras, repensar suas opções? Lembrando que celebramos não como uma massa amorfa, mas como gente em uma comunidade que se reúne para celebrar liturgicamente o evangelho e a vida.

Fonte: www.luteranos.com.br/conteudo/mateus-13-44-52

Maristela L. Freiberg


Depoimentos

Pe. Raimundo Gordiano.

Nossa vida é permeada de buscas. Temos sonhos, alimentamos inquietações e somos desafiados e desafiadas a ir sempre mais avante. Se nos atermos a organizar as etapas de nossa história pessoal, provavelmente serão marcadas pelas conquistas aos elementos que buscamos. Não falamos apenas de coisas conquistadas com o poder do dinheiro usado para pagar e nos dar o direito ao usufruto dos bens desejados. Dentro de nós há um germe de eternidade. Ao mesmo tempo nos constitui e nos arrasta em busca de sua plenificação iniciada ainda na caminhada dessa vida e concluída na eternidade junto de Deus.

A Palavra de Deus proclamada neste 17º do tempo comum levanta, dentre outras, a reflexão sobre as buscas que realizamos ao longo de nossa vida. Salomão teve a chance de apresentar ao Senhor seus desejos. “Pede o que desejas e eu te darei” (1 Rs 3,5). Ele logo respondeu pedindo um ‘coração sábio”. É bonito pensar nessa imagem. Um coração sábio, simbolicamente corresponde mais à busca pela sabedoria porque o coração tem também outras razões. A segunda leitura, nos alegra ao afirmar que “tudo contribui para o bem daquelas pessoas que amam a Deus, daquelas que são chamadas para a salvação, de acordo com o projeto de Deus”. E o Evangelho nos brinda com as três parábolas referentes ao Reino de Deus e a conclusão “parabólica” da vida de Mateus, ao tirar de seu tesouro coisas novas e velhas.

A partir dessa inspiração nos pegamos a pensar nas inúmeras buscas alcançadas e nas milhares a nos acompanhar enquanto vamos em direção ao futuro (o Reino de Deus). A busca vocacional, quando muitas pessoas deixam a casa de seus pais para irem estudar. A busca profissional faz com que se invistam esforços no modo de ganhar o pão, trabalhando com satisfação. Essa meta demanda muito esforço e nem sempre é possível atingi-la a contento. Mas há algo precioso a ser partilhado com a alegria de quem encontrou um grande tesouro.


Francisco Jovane

Após a vivência no seminário, após o matrimônio e os anos de trabalho, encontrei um caminho de grande felicidade. Iniciei o curso de teologia aos 50 anos vida. Anos depois fui convidado e aceitei o convite para o diaconato permanente. Esse dom divino me permitiu e me presenteou com o grande amor pela Palavra de Deus. Fiz o curso de especialização em bíblia e nunca mais parei de me envolver nos estudos da sagrada escritura.

As amarguras e rejeições advindas pela responsabilidade do diaconato permanente não me tiram a paz e alegria. O gosto pela Palavra, a vontade de conhecê-la, vivê-la e comunicar aos irmãos e irmãs me levam avante. Eu e minha esposa encontramos esse tesouro e nos enriquecemos juntos com todas as pessoas que participam de nossa escola bíblica, Pe. Júlio Maria Lombaerde existente desde 2011. A aula inaugural foi no dia16/05/2011. Há coisas velhas saindo de nosso baú, mas a riqueza maior conseguimos alcançar por meio da Sagrada Escritura. Enquanto caminhos em direção à meta final, louvamos a Deus por nos conceder esta graça.

situs judi bola AgenCuan merupakan slot luar negeri yang sudah memiliki beberapa member aktif yang selalu bermain slot online 24 jam, hanya daftar slot gacor bisa dapatkan semua jenis taruhan online uang asli. idn poker slot pro thailand

Seu carrinho está vazio.

mersin eskort