Bem vindo(a) ao CEBI ! (51) 3568-2560

Advento, tempo de encontros e de visitas

Advento, tempo de encontros e de visitas
16 de dezembro de 2021 Zwei Arts

Leia a reflexão sobre Lucas 1,39-45, texto de Claudete Beise Ulrich

Boa leitura!

Advento, tempo de encontros!
Advento, tempo de preparação!
Advento, tempo de visitas!
Deus vem nos visitar!
Advento, tempo de tornar a vida mais doce, na certeza que a tua
“Palavra é mais doce que o mel e o destilar dos favos” (Sl 19,10).

A Palavra de Deus iluminando a nossa vida

O evangelista Lucas deseja apresentar uma “acurada investigação de tudo desde sua origem (…) uma exposição em ordem” (Lc 1,3). O Evangelho de Lucas, por isso, traz mais detalhes sobre a vida de Jesus, inclusive, antes do seu nascimento, falando de encontros, visitas e dos preparativos para a sua chegada. O texto de Lucas 1,39-45 narra a disposição de Maria, grávida, de ir ao encontro de Isabel que também está grávida. O ambiente onde se desenrola a narrativa é o da casa de Zacarias e Isabel. Maria entra na casa de Zacarias, mas saúda Isabel (Lc 1,40). O contexto imediato do texto lembra-nos de que Zacarias e Isabel são um casal de idosos (Lc 1,5-7). Zacarias ainda encontra-se mudo, pois não acreditou no anúncio do anjo (Lc 1,20). “Disse-lhe, porém, o anjo: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, a quem darás o nome de João” (Lc 1,13).

O texto de Lucas 1,39-45 narra o encontro de duas mulheres grávidas, duas futuras mamães. Isabel é mais velha, mas também está vivenciando pela primeira vez, a experiência de estar grávida. Ela já se encontra no sexto mês de gravidez (Lc 1,36). Maria é mulher jovem e encontra-se no começo da gravidez. Encontrar-se, abraçar-se, alegrar-se com o encontro, compartilhar as experiências de gravidez é o que leva, provavelmente, Maria a visitar a sua parenta Isabel. A experiência de estar grávida também traz perguntas, dúvidas. Nada melhor do que conversar com alguém que está vivenciando a mesma experiência.

O contexto do texto também nos conta que Maria recebeu a visita do anjo (Lc 1,26-38). Maria dialoga com o anjo sem intermediários. Percebe-se, no contexto, a presença de duas regiões e duas tradições: Zacarias é sacerdote de Jerusalém, morador das montanhas de Judá. Isabel encontra-se em idade avançada (idosa), estéril. Maria é mulher, jovem, virgem, natural da região fértil da Galileia. O anjo anuncia que assim como Isabel concebeu um filho na velhice, assim também Maria engravidará, “porque para Deus não haverá coisas impossíveis em todas as suas promessas” (Lc 1,36). O contexto todo fala de visitas: visita de Deus através do anjo. Deus vem ao encontro do seu povo, como na história do Êxodo.

O texto apresenta duas mulheres, duas histórias de vida, duas regiões e duas tradições que representam os grupos explorados, oprimidos e discriminados por sua classe social, por seu gênero, por sua diferença geracional. Maria e Isabel, com suas histórias diferentes, no entanto, são as escolhidas para a visita de Deus. Essa visita necessita ser compartilhada. Maria se coloca a caminho e vai visitar a sua amiga Isabel, que é mais velha. A idade não importa. É no compartilhar das experiências entre diferentes gerações de mulheres que se aprende e se constrói um novo mundo baseado na cooperação e no respeito à diversidade, rompendo-se com a sociedade patriarcal que promove a competição entre as mulheres.

Isabel recebe a visita de Maria com alegria e com exclamações.

Assim que Maria saúda Isabel, acontece algo que só uma mulher grávida pode sentir: “A criança lhe estremece no ventre” (v. 41). A criança vinda no útero também fica feliz com o encontro. Isabel, então, possuída pelo Espírito Santo, exclama em alta voz, interpretando aquele momento de visita e encontro “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre” (v. 42). É interessante perceber que é Isabel, a mais velha, aquela que não podia ter filhos (estéril) que fica possuída do Espírito Santo e bendiz a sua amiga Maria.

O encontro entre Maria e Isabel nos fala da importância das relações de ajuda entre mulheres. Maria, saindo de sua casa e indo ao encontro de Isabel, coloca-se como aprendiz. É na visita, no encontro, na troca de experiências e no processo que vão se gestando possibilidades de um novo mundo, rompendo com aquilo que separa, com o mundo patriarcal que prende e aprisiona. Duas barrigas grávidas de vida que se estremecem quando se cumprimentam. A vida pulsa para além da vida das mamães grávidas.

Elas anunciam a alegria do novo. Como é bom se encontrar! Como é bom se visitar! Como é bom se abraçar! Como é bom demonstrar a alegria dos sentimentos! Como é bom preparar a chegada das crianças – da novidade de vida na certeza de que “outro mundo é possível, necessário e urgente”.

O texto termina com mais uma fala de Isabel: “Bem-aventurada a que creu, porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor”. Jesus retoma essa fala no capítulo 11,27-28 do Evangelho de Lucas, quando uma mulher se levanta no meio da multidão e exclama: “Bem-aventurada aquela que te concebeu, e os seios que te amamentaram”. E Jesus lhe responde: “Antes, bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam!”.

Maria saiu de sua casa e colocou-se a caminho, indo visitar Isabel. A criança no ventre de Isabel estremece de alegria quando ouve a saudação de Maria. Isabel tem uma atitude profética. Ela interpreta o momento que as duas vivenciam. Não há ninguém entre elas. Nenhum intermediário. A alegria do encontro se dá no estar face a face. É no espaço da casa que a palavra é dita ao mundo. Elas se assumem como protagonistas da história. A visita de Maria a Isabel é nomeada como uma experiência de profundo significado para as duas mulheres. Elas se ouvem, se alegram, se saúdam, se abraçam, compartilham experiências e falam, sem nenhum intermediário. A amizade sincera entre Maria e Isabel possibilita o ouvir e o falar. A interpretação dessa relação dita por Isabel a Maria (bem-aventurada a que creu) faz com que Maria cante o Magnificat (Lc 1,46-56): a possibilidade de uma nova história.

Que este tempo de Advento lhe seja muito abençoado!
É tempo de espera, de presença!
Que este tempo seja pleno de alegria!
Benditas são todas as pessoas que renovam a esperança no Deus-criança que veio e que virá! Amém.