Bem vindo(a) ao CEBI ! (51) 3568-2560

Rio2016 e o jornalismo tarado [Joanna Burigo]

Rio2016 e o jornalismo tarado [Joanna Burigo]
Rio2016 e o jornalismo tarado [Joanna Burigo]
5 de agosto de 2016 Centro de Estudos Bíblicos
Vou começar esse texto com uma confissão: não pratico esportes. Ainda assim, vou falar sobre as Olimpíadas. Declaro não ser atlética antes de oferecer um parecer feminista sobre os Jogos por saber que a vida das esportistas – amadoras ou profissionais – é muito mais diretamente, dramaticamente e negativamente afetada pelas práticas misóginas do universo dos recordes e medalhas do que a vida de quem, como eu, acompanha a mídia esportiva apenas em épocas de megaeventos.  

O que viso oferecer aqui é um olhar feminista de espectadora, tanto dos Jogos quanto de toda a cobertura jornalística que segue. Um olhar que ainda está por ver, mas que antecipa o que vai acontecer na transmissão da #Rio2016: a objetificação das atletas por um jornalismo tarado que abusa de seus corpos – ainda que simbolicamente.

As Olimpíadas mal começaram, e algumas notícias já foram problematizadas pela intelligentsia feminista online. Notícias em que imagens dos corpos das atletas são compostas de forma a sexualizá-las. Enaltecer atletas Olímpicas por sua boa forma, além de redundante – elas são, afinal, a elite do desporto mundial – é pernicioso.

Isso porque as matérias e imagens sobre elas raramente louvam a potência de seus corpos ou as habilidades que as tornam campeãs, como disciplina e obstinação. Em contrapartida, nunca falta detalhamento visual a respeito de coisas como o formato dos seus glúteos.

A boa forma das atletas, que serve outro propósito, pelas mãos do jornalismo tarado vira mais um dispositivo para colocar as mulheres no lugar onde o patriarcado nos quer: o de complemento decorativo e objeto de desejo, e não de agentes autônomas bem sucedidas em função dos próprios esforços.

Antes de começar a escrever este texto, eu estava com o coração dividido entre questionar o aparato Olímpico e celebrar as atletas. Foi ao começar a escrevê-lo que me dei conta: celebrar as conquistas e superações das atletas mulheres de forma respeitosa, desviando da cilada que transforma estas profissionais em musas para consumo masculino, é questionar o aparato Olímpico – ou ao menos as estruturas machistas que ainda o sustentam.

Não é difícil celebrar atletas por suas competências, e não por sua aparência. Este já é o tratamento dado a atletas homens. Que precisemos escrever, ou fazer campanhas, ou produzir material educativo para que a mídia não trate esportistas como objetos sexuais é evidência do machismo latente que permeia todas as instituições.

O machismo é um dos principais motivos pelos quais as mulheres se afastam dos esportes, e, felizmente, existem diversos projetos feministas dedicados a questionar e desafiar este paradigma.

O Olga Esporte Clube, por exemplo, visa transformar a relação entre mulheres e esporte, partindo do pressuposto que o machismo rouba delas o direito ao prazer, à socialização e ao crescimento pessoal, que são a essência da prática esportiva.

É machismo o que transforma o esporte e a inclinação atlética das mulheres em instrumentos de reforço do culto ao corpo, fomentando neuroses como controle de peso e fixação na perfeição estética.

O Guerreiras Project há anos utiliza o futebol como ferramenta para revelar, analisar e combater preconceitos de gênero. Essa iniciativa (da qual aconteço de ser co-fundadora, junto com a ex-jogadora estadunidense Caitlin Fisher e a campeã dos Jogos Pan-Americanos de 2007, vice-campeã da Copa do Mundo Feminina de 2007, e medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2004, Aline Pellegrino) cria e estimula diálogos visando ampliar a conscientização e reflexão crítica necessárias para a remoção dos obstáculos machistas que atravessam o caminho das atletas.

As dibradoras – que também atuam na conscientização a respeito do machismo que perpassa a prática do futebol de mulheres – cansadas de ver a mídia tratando como musas as profissionais que trabalham duro para ser campeãs, com muito treinamento, suor e lágrimas, lançaram a campanha #MaisQueMusas, que roga por uma cobertura jornalística madura das atletas em detrimento da transmissão adolescente do jornalismo tarado, que se interessa apenas por seus corpos.

Já a Revista AzMina criou o manual didático “Como não ser machista em contextos esportivos”. Nele, dicas práticas para jornalistas, esportistas, treinadores e espectadores lembrarem que as mulheres não existem, tampouco se exercitam, para seduzir ou para serem musas, mas sim porque mulheres são seres humanos que gostam de esportes e os praticam, e não deveriam ser desrespeitadas, violentadas ou objetificadas por causa disso.   

Alguns veículos da mídia nacional já tomaram providências para que a misoginia seja varrida da cobertura das Olimpíadas. O UOL Esporte, por exemplo, buscou ajuda de duas ONGs feministas – a já mencionada AzMina, e a Think Olga – para mapear as barreiras que mulheres esportistas encontram por serem mulheres.

Com cinco vídeos e uma série de reportagens que antecedem as Olimpíadas, a campanha encoraja todas a engrossar o caldo de denúncias aos machismos que permeiam a vida das esportistas usando a hashtag #QueroTreinarEmPaz.

O simbolismo de oferecer às mulheres atletas o tratamento de musas, gatas e afins reforça a mensagem que vem sendo enviada para mulheres há anos: sua habilidade atlética é de segunda classe, o que importa é sua aparência. Esta é a mesma mensagem enviada para meninas e mulheres, em todos os lugares, a respeito de quase tudo, todos os dias: “seu papel é decorativo”.

O jornalismo tarado que trata atletas como meros objetos sexuais é bastante responsável pelo grande dilema das profissionais do esporte: modalidades femininas recebem menos cobertura porque têm menos verba, ou recebem menos verba por terem menos cobertura?

É impossível responder a esta pergunta sem antes compreender que, para conquistarmos equidade material, é preciso equidade subjetiva, e para isso é fundamental que respeitemos as atletas primordialmente por seu trabalho, e não por suas coxas e peitos.   

Jornalistas – assim como torcedores, executivos, familiares e treinadores – não deveriam permanecer confortáveis com o fato de as mulheres, além de receberem menos (dinheiro, apoio, visibilidade…), quando recebem é em função de como se parecem. Esta desigualdade é tão interiorizada que, quando as atletas a apontam, elas tendem a ser desacreditadas, ou mesmo silenciadas.

Que a #Rio2016 sirva também como motivo para que nós, espectadoras, sigamos falando e desafiando normas e padrões opressivos que são socialmente aceitos. Já não cabe mais acatar que profissionais sérias e altamente qualificadas sejam abreviadas à condição de "gostosa".

#TemMulherNaJogada, então que a audiência continue de olho no jornalismo tarado, usando hashtags de denúncia para interagir com a mídia misógina. #JogaPraElas para que as usemos todas, e muito, até que esse jornalismo pueril crie vergonha e passe a agir como gente grande, bem resolvida – e nada machista.

Liga228 situs judi bola merupakan situs judi bola online dengan pasaran terlengkap.

Kunjungi situs judi bola terlengkap dan terupdate seluruh asia.

Situs sbobet resmi terpercaya. Daftar situs slot online gacor resmi terbaik. Agen situs judi bola resmi terpercaya. Situs idn poker online resmi. Agen situs idn poker online resmi terpercaya. Situs idn poker terpercaya.

situs idn poker terbesar di Indonesia.

List website idn poker terbaik.

Game situs slot online resmi

slot hoki terpercaya

slot terbaru

rtp slot gacor

agen sbobet terpercaya

slot online judi bola terpercaya slot online terpercaya judi bola prediksi parlay hari ini