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A lamparina e o azeite [Luiz Carlos Ramos]

A lamparina e o azeite [Luiz Carlos Ramos]
9 de novembro de 2017 Centro de Estudos Bíblicos
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ūüĎČūüŹĺ Confira a reflex√£o do evangelho para o pr√≥ximo domingo, dia 12 de novembro. A passagem √© Mateus 25.1-13 (LCR), para o Vig√©simo Terceiro Domingo da Peregrina√ß√£o ap√≥s Pentecostes | Ano A, 2017.

Boa meditação!

Jesus disse:
O Novo Mundo de Deus será como um casamento, no qual dez damas de honra, portando suas lamparinas, saíram para se encontrar com o noivo. Dentre elas, cinco eram insensatas, e cinco, sensatas.
As damas de honra insensatas levaram consigo suas lamparinas, mas não trouxeram vasilhas com óleo de reserva.
As sensatas, diferentemente, levaram além das lamparinas vasilhas com óleo mais que suficiente para as suas.
Como o noivo estava demorando, todas foram dominadas pelo sono e acabaram adormecendo. √Ä meia-noite se ouviu este brado: ‚ÄúO noivo est√° chegando! Venham se encontrar com ele!‚ÄĚ
Ent√£o as dez damas de honra despertaram e acenderam as suas lamparinas.
Nessa hora as insensatas suplicaram √†s sensatas: ‚ÄúDeem-nos um pouco do √≥leo de voc√™s, pois as nossas lamparinas j√° est√£o quase se apagando.‚ÄĚ
‚ÄúN√£o podemos fazer isso‚ÄĚ, responderam as sensatas. ‚ÄúO √≥leo que temos n√£o ser√° suficiente para n√≥s e para voc√™s. √Č melhor voc√™s correrem at√© a venda para comprar mais √≥leo!‚ÄĚ
Ent√£o as damas de honra insensatas sa√≠ram para comprar √≥leo. Mas enquanto estavam fora, o noivo chegou. As cinco damas de honra que estavam com as lamparinas prontas entraram com ele para a festa do casamento, e a porta foi fechada. Mais tarde as insensatas regressaram e suplicavam: ‚ÄúSenhor, senhor, abra a porta para n√≥s!‚ÄĚ
L√° de dentro, o noivo respondeu: ‚ÄúEu afirmo a voc√™s e isto √© a mais pura verdade: eu n√£o sei quem s√£o voc√™s!‚ÄĚ E Jesus concluiu, dizendo: Vigiem, porque voc√™s n√£o sabem qual ser√° o dia nem a hora!

J√° dissemos que Mateus √© o Evangelho da pr√°xis. E agora que chegamos ao discurso escatol√≥gico de Jesus ‚ÄĒque trata da sua parousia, ou vinda, que se dar√° quando o Novo Mundo de Deus tiver se estabelecido sobre todas as coisas‚ÄĒ fica absolutamente claro que o conhecimento sem a pr√°tica consciente e comprometida da Palavra de Deus n√£o torna ningu√©m apto para fazer parte do Reino de Deus.

A mesma ideia já está presente de maneira recorrente desde o início do Evangelho. Essa perspectiva fica absolutamente explícita na parábola dos dois construtores: um que faz sua casa sobre a areia (insensato) e outro, sobre a rocha (prudente). Comparação que distingue, respectivamente, aqueles que somente ouvem a Palavra daqueles que ouvem-e-praticam a Palavra.

Damas ou virgens?

Assim também se dá com a parábola das virgens, ou moças, ou pajens, ou damas de honra, dentre as quais 5 eram sábias, ou prudentes, ou sensatas, e 5 eram néscias, ou imprudentes, ou insensatas.

O contexto da compara√ß√£o feita por Jesus √© o das festas de casamento na sua cultura. Embora certos usos pare√ßam estranhos para n√≥s, essa era, e em certa medida ainda √©, a maneira como se d√£o as cerim√īnias de casamento entre os povos do Mediterr√Ęneo.

Recebem destaque na narrativa: as mo√ßas (pajens), em n√ļmero de 10, um arauto, que d√° o alarme no meio da noite, e o noivo, que chega para presidir o banquete nupcial.

A noiva está ausente na narrativa, mas era na sua casa que as pajens ou damas de honra ficavam aguardando até que os preparativos da festa estivessem concluídos e elas pudessem sair ao encontro do noivo para acompanha-lo em seu trajeto até aquela que será a sua esposa.

Por que 10?

Talvez seja uma alus√£o √† Lei (10 mandamentos). O fato √© que, na par√°bola, 5 jovens s√£o descritas como insensatas, t√™m a l√Ęmpada/Palavra, mas n√£o tem √≥leo/pr√°xis. E por isso acabar√£o ‚Äúcondenadas‚ÄĚ a ficar do lado de fora e impedidas de participar do banquete nupcial; e 5 sensatas, essas s√£o as ‚Äújustificadas‚ÄĚ ‚ÄĒt√™m a Palavra e tem a Pr√°xis‚ÄĒ e ter√£o lugar garantido no banquete.

Sensato, portanto, indica aquele ou aquela que ouve-e-pratica o ensino de Jesus (vd. 7.24-27), essas s√£o as que t√™m a lamparina ou l√Ęmpada (= Palavra/Lei cf. Sl 119.105), e t√™m tamb√©m o azeite ou √≥leo (= pr√°tica da Palavra).

Portar uma lamparina sem combust√≠vel faz dela um instrumento in√ļtil, da mesma forma que conhecer a Palavra/Lei, mas n√£o coloc√°-la em pr√°tica de maneira consciente e comprometida, a torna nula.

Jesus conclui conclamando seus discípulos a vigiarem e estarem preparados, isto é, a viverem uma vida condizente com o conhecimento que têm da Palavra, em todo tempo e lugar, porque o momento da chegada do noivo é incerto. Bem pode acontecer no meio da noite, que é quando supomos que as sombras estão a esconder ou encobrir os nossos atos.

Fonte: Reflex√£o do Reverendo Luiz Carlos Ramos, publicado em seu blog, 07/11/2017.