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Indígenas são massacrados pela polícia em Mato Grosso do Sul

Indígenas são massacrados pela polícia em Mato Grosso do Sul
30 de maio de 2013 Centro de Estudos Bíblicos
Indígenas são massacrados pela polícia em Mato Grosso do Sul

Sob a conivência e omissão do governo federal, indígenas de Sidrolândia/MS foram massacrados no dia de hoje pela polícia federal e pela polícia militar de Mato Grosso Sul. Josiel Gabriel, líder terena de 32 anos, foi morto a tiros e três pessoas foram baleadas.

Nas  proximidades da área, outro indígena foi atropelado pela viatura da polícia e socorrido por jornalistas presentes. Para dispersar os indígenas, foram utilizadas bombas de gás lacrimogêneo. A imprensa foi proibida de se aproximar durante o massacre.

As forças policiais alegam cumprir determinação judicial. Apesar do elevado número de pessoas indígenas baleadas, hipocritamente o Governo Estadual divulgou nota negando ter utilizado armas letais no episódio. Na mesma nota, o Governo alega não ter conseguido falar com o Ministro da Justiça José Eduardo Cardoso.

Por telefone ao CIMI (Conselho Indigenista Missionário), o líder Gerson Terena desabafou: "Mataram um guerreiro Terena. Chegaram de forma covarde, com balas e bombas. Atiraram pra matar. Não teve negociação. O Estado manda em tudo, em juiz, em tudo. Nós aqui morrendo por um pedaço de terra. Osiel era jovem, comprometido com a vida de seu povo". De acordo com Gerson, crianças, mulheres e anciãos não foram respeitados.

Os milhares de Terena presentes na área retomada foram pegos de surpresa "numa operação de guerra", nas palavras da liderança. Entre 300 e 400 policias atacaram todos os pontos da área indígena. Espalhados, os policiais lançaram bombas de efeito moral; nesse momento, os tiros eram de borracha. "Depois começaram a atirar pra valer (arma de fogo). Resistimos com pedras e eles atiraram. Foi um horror, um horror. É doído a gente ver um patrício morrer defendendo algo que lhe pertence. Essa terra é nossa, é a nossa", declarou Gerson.

 

"Morremos sobre nossas terras"

 

As forças policiais alegam cumprir ordem judicial que determinou a expulsão dos indígenas de suas próprias terras. O massacre aconteceu na área indígena que integra a Terra Indígena Buriti. Em 2010, as terras foram declaradas pelo governo federal como Área de Posse Permanente da Nação Terena, visto que sempre pertenceram a essa etnia. Por omissão do Governo Federal, que vem cedendo às pressões de latifundiários, o processo de homologação da terra, no entanto, nunca chegou a acontecer. Na região, segundo a Funai, vivem mais de 4.000 indígenas em nove aldeias.

Além de continuar a promover as invasões das aéreas indígenas a elite latifundiária de Mato Grosso do Sul contesta na Justiça a decisão do governo federal. No ano passado, em conluio com agentes do poder judiciário, os fazendeiros conseguiram derrubar a portaria declaratória no TRF (Tribunal Regional Federal). Setores da Funai comprometidos ainda recorrem da decisão.

"A Justiça disse que é nossa. Mesmo assim, morremos sobre ela… morremos por um pedaço de chão", denunciou Gerson Terena.

O latifundiário Ricardo Bacha (que já foi Secretário da Fazenda, deputado e candidato a governador) alega ser o dono das terras.