Bem vindo(a) ao CEBI ! (51) 3568-2560

Evangelho da semana: “Eu Sou o Pão da Vida”

Evangelho da semana: “Eu Sou o Pão da Vida”
30 de julho de 2018 Centro de Estudos Bíblicos
Confira a reflexão do evangelho para esta semana, Jo 6,24-35. O texto pertence a Tomaz Hughes*.

Boa leitura!

Continuamos uma série de leituras dominicais a partir do sexto Capítulo de João. Este capítulo é extraordinariamente denso em conteúdo e muito carregado com a simbologia judaica da época de Jesus. Hoje o tema central versa sobre Jesus como “O Pão da Vida”.

No Antigo Testamento, muitas vezes o termo “pão” é usado como símbolo da Palavra de Deus; por exemplo, Is 55,10-11; Amós fala de fome, mas não fome de pão, nem sede de água, mas fome de escutar a Palavra de Deus em Am 8,11-12; A Sabedoria convida os simples a comer do seu pão e beber do sua seu vinho em Pr 9,5; Sirac (Eclesiástico) fala da sabedoria que alimenta as pessoas com o pão de compreensão e a água de sabedoria (Eclo 15,4). Até o maná no deserto chegou a ser usado como símbolo da Torá, ou Lei (Dt 8,2-3). Podemos ligar essas ideias com Cap. 6 de João.

Divisão do Capítulo:

  • – 1-15: Partilha dos pães
  • – 16-21: Jesus anda sobre as águas
  • – 22-24: Situa o discurso
  • – 25-29: Introdução ao discurso
  • – 30-40: Discurso
  • – I parte: 30-34
  • – II parte: 35-40
  • – 41-51: Segunda Parte
  • – 52-58: Terceira Parte
  • – 50: Aparte
  • – 60-61: Reação e opção dos discípulos

O início do relato deixa claro que a multidão reconheceu o poder de Jesus, mas era incapaz de entrar mais profundamente no sentido dos seus sinais. Lembremos que o Quarto Evangelho não usa o termo “milagre” para as sete ações principais de Jesus (água transformada em vinho em 2,1-12; a cura do filho do funcionário real em 4,46-54; a cura de um paralítico na piscina em 5,1-18; a partilha dos pães em 6,1-15; o caminhar sobre as águas em 6,16-21; a cura do cego de nascença em 9,1-41, e a ressurreição de Lázaro em 11,1-44), mas “sinais”, embora haja ainda edições da Bíblia que traduzem de maneira errada.

Com certeza foram “milagres”, mas João quer enfatizar o fato de serem sinais, ou seja, que devemos aprofundar o que eles querem nos ensinar sobre a identidade e missão de Jesus. O povo busca as vantagens imediatas que pode receber de Jesus, corre atrás dos milagres mas não entende o sentido do sinal que cada milagre mostra. Jesus insiste que a fé nasce da capacidade de reconhecer as obras d’Ele como sinais que demonstram uma verdade mais profunda – que Jesus é o alimento que faz viver. Assim, o Filho do Homem vem do céu e os sinais que Ele opera garantem a sua origem e a sua missão. Jesus quer que creiam e recebam o que Deus lhes oferece n’Ele.

A turba quer saber de um sinal para que pudesse “ver” e “crer” em Jesus. Mas, na visão do João, o “ver” real é conseguir descobrir a realidade completa de quem realiza os sinais, e não parar só nos sinais externos. No fundo a multidão quer que Jesus confirme as suas expectativas messiânicas, realizando milagres – e não entendem a profundidade da mensagem de Jesus, que ultrapassa tais expectativas.

Os próprios judeus começam a falar da história do maná no deserto. No tempo de Jesus, muitos doutores da Lei ensinavam que o dom do maná era o maior prodígio do tempo do Êxodo. Jesus reformula as expectativas apocalípticas da época, que esperavam de novo maná do céu, insistindo que o verdadeiro pão da vida é dado pelo Pai e não por Moisés; que o Pai “dá”, não “deu”, e que o pão que o Pai dá é aquele que veio dar a vida ao mundo. Jesus é realmente o “pão da vida” porque crer n’Ele é participar da verdadeira vida.

Nesse trecho encontramos Jesus usando a frase “Eu Sou” – o que soava aos ouvidos dos judeus da época como referência ao nome de Deus na história do Êxodo “Eu Sou aquele que sou” (Êx 3,14). Tudo aponta para a verdadeira origem de Jesus, e o fato que a verdadeira vida só se acha n’Ele.

Hoje, esses versículos nos desafiam para que ultrapassemos os limites de uma religião superficial, e para que nos mergulhemos no mistério de Jesus, criando relacionamento cada vez mais profundo com Ele e assumindo uma vida de verdadeiros discípulos-missionários, apaixonados por Ele e pelo seu projeto, o projeto d’Aquele que veio para que “todos tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

*Em memória.

Texto partilhado ao CEBI pelo autor.