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Crianças envenenadas: nem bebês estão a salvo dos agrotóxicos

Crianças envenenadas: nem bebês estão a salvo dos agrotóxicos
12 de julho de 2016 Centro de Estudos Bíblicos
Crianças envenenadas: nem bebês estão a salvo dos agrotóxicos
Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Crianças e adolescentes até 14 anos estão entre as vítimas – e entre as vítimas fatais – de pesticidas no país. E não há limite de idade. Em Estados como Minas Gerais e Mato Grosso, a incidência entre crianças de 0 a 4 anos supera 40% do total de crianças e adolescentes envenenados.

 
 
Esses são alguns dados organizados pela professora Larissa Bombardi, do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), e que farão parte da Geografia do Uso dos Agrotóxicos no Brasil, uma pesquisa que será finalizada e divulgada neste semestre.

De Olho nos Ruralistas – um observatório sobre o agronegócio no Brasil – tem adiantado os dados desse “Atlas do Uso dos Agrotóxicos”. A estimativa é que, entre 2017 e 2014, pelo menos 1.250.000 pessoas tenham sido intoxicadas pelos pesticidas: 50 vezes mais que o número de casos notificados.

Nesse período, 2.181 crianças e adolescentes foram intoxicados por agrotóxicos. Ou mais de 100 mil, conforme a proporção de subnotificações. Notem, pelo mapa, que a incidência maior está em Unidades da Federação com amplo uso de pesticidas, como Paraná (soja, trigo) e São Paulo (cana).

“O nível de barbárie na nossa agricultura é tão grande que a gente tem essa quantidade de crianças que se intoxicam”, afirma Larissa. “Inclusive bebês”. No período analisado, 342 bebês envenenados. “Como um bebê que mal se desloca está contaminado por agrotóxicos? Qual o nível de exposição das famílias para que ele se intoxique?”

Ceará e Pernambuco destacam-se por causa da fruticultura, para exportação. O estudo organizado pela pesquisadora da USP mostra que as mulheres também estão entre as vítimas mais frequentes nessas regiões, por trabalharem no cultivo.

Trezentas crianças entre 10 e 14 anos tentaram suicídio com agrotóxicos de uso agrícola, entre 2017 e 2014. “Dado traduz a gravidade da situação, a maneira como essa agricultura tem sido levada a cabo”.

(Colaborou João Peres)