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A Resistência no Seguimento exige Coragem

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Episódio: Mt 16,21-28

Janete Julio Martins – CEBI RJ

Neste texto da comunidade de Mateus à luz dos ensinamentos de Jesus, temos vários exemplos pelos quais encontramos propostas para resistir aos diversos conflitos, impasses e crises que se apresentam com constância. Muitas vezes nos perdemos nas confusões religiosas, desinformações políticas e gerais, desigualdades sociais, todos os tipos de violência, enfim, falta de humanidade.

Aqui, somos iluminados por Jesus que nos situa diante da realidade em que vivemos e os desafios que enfrentamos. Quando Ele começa a mostrar aos seus discípulos que deveria ir a Jerusalém, enfrentar os poderes dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos doutores da Lei, nos remete aos conflitos com as lideranças religiosas e políticas estabelecidas de nossa atualidade também. E sabemos que esses conflitos na época se deviam à posição tomada por Jesus até então, e ao seguimento da comunidade de Mateus. Conflitos esses que continuam através de nosso seguimento e nossas resistências, porque os poderosos não aceitam que assumamos posturas contrárias à opressão. Sempre é mais fácil calar aquelas pessoas que atrapalham os privilégios.

Logo após ter recebido a grande responsabilidade de preservar a causa da justiça, Pedro não consegue entender que a vitória não é pessoal, mas é do bem comum, através da justiça e do projeto de Deus.  A resistência de Pedro dá a Jesus a oportunidade de declarar qual deve ser a atitude a ser tomada pelas pessoas. A resposta de Jesus é a de que devemos tomar um posicionamento diante de situações que envolvem nossa própria integridade. Ao mesmo tempo que se recebe destaque, as exigências aumentam. Não desanimar, não deixar de prosseguir na caminhada, tentando ser fiel na prática do ensinamento. Não é fácil ter integridade, pois todas as pessoas, principalmente as lideranças, devem estar comprometidas com a preservação da justiça, que é palavra central e alma do Evangelho de Mateus.

Há casos em que algumas pessoas são chamadas à parte para serem repreendidas e intimidadas para que se permita continuar a atuação do poder opressor e é onde o ensinamento é contra a regalias, trocas, os conchavos, os grandes valores recebidos em dinheiro ou patrimônio. É uma falsa luta pela justiça, enquanto se desfruta da injustiça, ocasionando a má distribuição dos bens e as desigualdades.

O poder pode corromper. Precisa-se tentar romper com vínculos e costumes que rodeiam, sempre se apresentando como se fossem caminhos mais fáceis, mas que na realidade impedem o avanço para o bem-estar comum. A tomada de posição através da organização ou reorganização permite a ajudar na conservação da identidade das pessoas que no dia a dia são empurradas para a fragilidade, como se elas fossem um povo sem valor.

Há a necessidade de não nos sentirmos em minoria ou abandonadas. É necessário que em nossa individualidade de dons possamos ver qual o nosso papel, para que as iniciativas de justiça ultrapassem e se irradiem sobre as pessoas desanimadas e alienadas, tentando fazer assim a travessia destes tempos difíceis através de uma nova prática.

A liberdade e a vida nos é dada por Deus e Ele não se cala diante dos acontecimentos.