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Obviedades de Jesus

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Lecionário Comum Lecionário Católico
Is 55.10-13
Sl 65.(1-8)9-14
Rm 8.1-11
Mt 13.1-9, 18-23
Is 55,10-11
Sl 64(65),10.11.12-13.14 (R. Lc 8,8)
Rm 8,18-23
Mt 13,1-23 ou mais breve 13,1-9

Pra. Lilian Sarat – CEBI MS

A parábola do semeador me parece uma das mais simples contada por Jesus. Mesmo assim, carece de explicações, porque vivemos num tempo e, talvez, também nos tempos de Jesus, onde o óbvio precisa ser dito.

Dois mil anos depois relemos esta parábola em nossas liturgias com esta sensação de que sentidos tão simples ainda precisam ser rememorados, para quem sabe resgatarmos uma semente de humanidade e dignidade que anda faltando no nosso cotidiano.

Mas se podemos complicar um pouco, vamos a palavra no grego para semente: espermatikós, mesma palavra para esperma, sêmen. A semente é o sêmen que penetra o interior da terra e no útero da Grande Mãe produz vida em abundância, como se imaginava na terra prometida, onde os alimentos eram fartos e numerosos para todas as pessoas. Da mesma forma o masculino encontra com feminino e no útero de uma mulher nasce a humanidade. Somos todas terra, semente, seiva que fecunda o mundo espalhando a palavra-semente, sabendo que nem todas irão frutificar, mas a terra boa existe e por ela que o semeador, a semeadora sai a caminhar.

Como Semeador, Jesus se coloca como um caminho de construção de um outro mundo possível. O mundo que ele vivia também não era justo ou amistoso com os pobres, camponeses, trabalhadores.  A vida era cara e difícil, por isso era preciso se organizar, juntar as sementes, trabalhar em comunidade para resistir ao sistema de exploração do império romano.

As sementes que Jesus espalhava era de resistência e revolução. Muitos não compreenderam a simples lição, que nos ensina sobre fé em meio a desesperança. Nos ensina que pra ser árvore, flor, arbusto ela precisa morrer pra ressuscitar outros sentidos e caminhos. Por isso é preciso uma boa dose de coragem nesta semeadura por que a terra está secando, petrificando e neste século de crises climáticas graves, cada vez mais as sementes estão ameaçadas de extinção.

Se o sêmen que fecunda a terra que nos dá o alimento pra vida, desaparecer, sabemos que caminhamos para a extinção do homo sapiens. Onde será que anda a sapiência da humanidade? Está no Semeador que abre caminhos entre pedregulhos, espalha a areia, sacode a poeira e espalha a semente, nos ensinando que existem caminhos possíveis coo a Agroecologia, a agrofloresta, os quintais produtivos, as roças tradicionais, os saberes ancestrais dos povos indígenas, a sabedoria das nossas avuelas.

Se chegamos até aqui é porque muitas vieram antes de nós e a semelhança do Jesus semeou a boa semente que também é a boa palavra que fecunda as mentes para entender que o significado da existência está na partilha e comunhão entre todos os seres, na busca pelo bem comum. A metáfora da semente como palavra é a força do discurso que pode transformar as mentes cauterizadas pelo sistema. A semente também é comparada com a nossa fé, que mesmo pequenina como um grão de mostarda pode vir a florescer e frutificar novas sementes para a posteridade.

Existe um sentido de urgência nestas palavras, uma necessidade irrevogável de nos convertermos a semeadores e semeadoras neste mundo em ebulição. Sair a semear é colocar nossa palavra em ação e a despeito das pedras no caminho, caminhar, semear e resistir.

Há sementes de esperança e de cura em projetos desenvolvidos pelos movimentos e pastorais sociais.

Há sementes de esperança no Maracá das Nhandesys que ressoam nas retomadas com rezas que curam a terra,

Há sementes de esperança nos tambores dos quilombos que re-existem na luta por seus territórios

Há sementes de esperança no povo teimoso que zela pela nossa franzina democracia.

Há sementes de esperança.

Por isso vamos sair a semear sementes de um novo tempo de um futuro melhor.