Gênero

Comadres de Corpo e de Alma

Confira uma sugestão de roteiro de encontro entre mulheres. Uma ótima dica para o Mês Internacional da Mulher.

Vamos falar sobre gênero, religião e teologia feminista?

A amizade entre nós mulheres é uma coisa preciosa, misteriosa, maravilhosa. A amizade entre comadres nos sustenta nos momentos mais difíceis da nossa vida, também nos momentos mais alegres.

Quando ficamos preocupadas, tristes ou em dúvida, é a comadre que a gente procura para conversar, abrir o coração, conseguir tranquilidade e de novo ter a paz. A magia da amizade entre comadres tempera nossa caminhada, cria laços profundos e eternos, aponta a direção do novo. Que magia, que força! Aqui tem coisa que não é só deste mundo! Acredita!

Vamos escutar a parte da história de Rute e Noemi que conta sobre a amizade entre estas duas mulheres. Vamos formar um círculo com nossas cadeiras. Nosso símbolo é uma roda em que todas somos iguais, importantes, comadres.

Leitura: Rute 1,6-18

  • Em mutirão, recontar a história de Rute e Noemi.
  • Nesta história, o que mais mexeu com cada uma? Por quê?
  • Havia uma amizade de corpo e alma entre Rute e Noemi? Como?
  • O que aconteceu dentro do corpo e da alma das duas mulheres neste acontecimento?

Dinâmica:

  • Colocar um papel grande no meio da roda; ao lado, pinceis ou lápis de cera.
  • Colocar uma música suave, sem palavras, para criar um ambiente de oração.
  • Entregar uma vela para cada mulher.
  • Colocar uma vela acesa no meio do papel grande.
  • Neste ambiente, convidar as mulheres a lembrar de amizades importantes  em sua vida: amizades de magia, de comadres, amizades que tocaram sua alma e seu corpo, amizades que fizeram nascer nova esperança e vida no coração de cada uma.
  • Uma por uma, cada mulher diz o nome de suas comadres de corpo e alma.
  • Uma mulher, sentada no chão, escreve cada nome lembrado em letra bonita e visível no grande papel ao centro da roda.
  • Depois, convidar as mulheres a partilhar suas experiências de amizade vividas com sua comadre.
  • No fim da partilha, cada mulher acende sua vela na vela grande. Depois, todas se abraçam na amizade, trocando velas e orações.

Olhar

Nos conta Lídia: “Minha família de origem era patriarcal e pobre. Éramos 12 entre filhos e filhas. Fomos educadas/os nos valores fundamentais: respeito, acolhida, submissão, obediência. O valor que penetrou em mim até a medula foi o da acolhida do outro, da outra. Para mim este valor era tudo.

Muito nova, casei-me e, com o casamento, transferi-me para uma realidade completamente diferente.

O novo ambiente apresentava outros valores, parecia que a coisa mais importante era: “Faz por ti que fazes por três”.

Apesar disso, continuei a viver os valores transmitidos pela minha família, sobretudo o da acolhida. Mas com o passar do tempo percebi que minha maneira de ser não era valorizada. Aliás, procuravam tolher minha criatividade. A minha maior desilusão, e que gerou muito sofrimento, foi nas relações com as mulheres, em particular, com a sogra e a cunhada. Percebi que havia ciúme, sobretudo por parte da cunhada.

Ela nunca tomou decisões na vida, estava amarrada à mãe, ao amor pelo irmão e, em seguida, deslocou seu afeto ao meu filho e à minha filha, querendo até roubá-los de mim, com a cumplicidade de minha sogra e o silêncio conivente de meu marido, seu irmão.

Um dia, li todo o livro de Rute. Aí encontrei meu ideal de relacionamentos:  nora – sogra; cunhada – cunhada; mulher – mulher ligadas à fidelidade e à cumplicidade.

Pergunto-me hoje: Por que não reparei tanta falsidade? Não encontro resposta! Somente um pensamento passa pela minha cabeça: “Às vezes a pior inimiga da mulher é a própria mulher”.

Vamos também nós, como Lídia, nos deixar inspirar pelo Livro de Rute.

Sentir

O Livro de Rute é uma novela em quatro capítulos, em que as protagonistas principais são mulheres. Seria interessante ler o livro no original, em hebraico. Perceberíamos sua linguagem e sua estrutura femininas. Isso nos leva a pensar que pode ter sido escrito por mulheres, e que, se foi escrito por homens, por trás, sem dúvida, há uma memória forte de mulheres. O livro nos apresenta vários pontos de reflexão.

Quando foi escrito o Livro de Rute?

“No tempo em que os juízes governavam, houve uma fome no país…” (Rt 1,1).

Apesar deste início e de sua colocação na Bíblia, entre os livros de Juízes e de 1Samuel, todas as indicações nos falam que esta novela antiga foi escrita no tempo de Neeemias e Esdras, ao redor de 450-400 a.C.

Lendo Neemias 5,1-5, percebemos a mesma situação de fome. Em Esdras 9, lemos o acontecimento das rupturas dos matrimônios com as estrangeiras.

Esse período é marcado pelo nascimento do Judaísmo (Neemias 8) em que a Lei escrita assume muita força, como também a pureza legal e de raça.

Os nomes dos/das protagonistas tecem a história

  • Elimeleque  /  Meu Deus é rei
  • Noemi /  Doçura
  • Maalon  /  Enfermidade – Doença
  • Quelion  /  Desfalecimento – Fragilidade
  • Orfa  /  Que dá as costas
  • Rute  /  Amiga
  • Mara  /  Amargura
  • Booz  /  Pela força
  • Obed  /  Servo

Quando lemos o texto traduzimos os nomes, eles se tornam uma chave de leitura para a história do livro.

Os verbos são fios coloridos que conduzem a história

No capítulo primeiro, prevalece o verbo voltar. O início nos apresenta um grupo familiar que, pena fome, emigrou para os campos de Moab. Lá os filhos casam com moabitas. Os homens morrem e ficam as mulheres. Nesta grande desgraça, chega aos ouvidos de Noemi que Deus voltou a visitar seu povo, dando-lhe pão (1,6). Ela decide voltar para Judá.

Noemi libera as noras de qualquer compromisso: “Busquem seu futuro!” Noemi é como árvore seca, nada mais tem a dar. Rute, apesar da insistência da sogra, decide acompanhá-la. Esta decisão é uma aposta na mulher, na sogra, naquela que aparentemente nada mais tem  a oferecer. A mulher nova estabelece uma aliança com a mulher velha: estão juntas para o que der e vier.

Respigar é o verbo que predomina no segundo capítulo.

Ao chegar em Belém, – a casa do pão – Noemi e Rute precisam garantir o pão de cada dia. É  o tempo da colheita, tempo em que vigora uma lei que garante o alimento cotidiano para o pobre, a viúva e o estrangeiro, garantindo-lhes as espigas que caíam as mãos dos ceifadores! (Lv 19,9-10; 23,22; Dt 24,19-22). E Rute é pobre, viúva, estrangeira. É no campo de Booz, parente de Elimeleque, que Rute vai respigar, assegurando assim o sustento para as duas.

Seu amor e sua dedicação são reconhecidos. “Foi me contado tudo o que fizeste por tua sogra… que o Senhor te retribua… sob suas asas vieste buscar refúgio” (2,11-12).

Na intimidade da casa, a cumplicidade das mulheres cresce: nora confiando na sogra; sogra fazendo memória de leis antigas; sogra e nora tecendo planos para garantir a vida, o futuro.

Respigar garante o pão, mas a segurança da vida, o futuro está na posse da terra. “Minha filha, não devo buscar-te repouso, para que sejas feliz?” (3,1). Respigar, buscar repouso, felicidade são os gestos que concretizam o parto de aliança entre Rute e Noemi. Há cumplicidade entre sogra e nora. Cumplicidade que se faz consciência das leis que as defendem.

Eis então o verbo que marca o terceiro capítulo: resgate. É um verbo que fala de resgate da terra. O que podem, contudo, duas mulheres viúvas, uma delas estrangeira? As duas mulheres percebem que precisam de uma força ao seu lado e traçam um plano para conquistar esta força: Booz. Não somente fazem um plano, mas atualizam a lei do resgate a lei do levirato (Dt 25,5-10).

“Nós somos testemunhas! Que o Senhor torne essa mulher que entra em tua casa semelhante a Raquel e a Lia, que formaram a casa de Israel” (4,11). A estrangeira, a viúva, a mulher é incluída no número das matriarcas que estão na origem do povo de israel.

A sogra buscou felicidade para a nora. A nora assegurou o resgate para a sogra. Nora e sogra, na confiança, na conversa ao pé do ouvido, na cumplicidade, na busca, na teimosia, conquistaram seu direito ao pão, à terra, à posteridade, ao futuro.

Fonte: Trecho do livro sobre Teologia Feminista: Mulheres dando à luz a nós mesmas! Encontros para o Dia Internacional da Mulher, de Jane Dwyer e Tea Frigerio. Páginas 15-19.

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