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Irmãs Religiosas boicotam a construção de um gasoduto nos Estados Unidos

Irmãs Religiosas boicotam a construção de um gasoduto nos Estados Unidos
26 de julho de 2017 Centro de Estudos Bíblicos
Um grupo de religiosas católicas da Pensilvânia quer evitar, de qualquer modo, que se construa um gasoduto para obter gás por fracking em suas terras, construindo uma capela rudimentar em um terreno dentro da rota proposta.

Também lançaram um desafio legal apelando para uma coisa: a liberdade religiosa.

A congregação das Adoradoras do Sangue de Cristo apresentou uma denúncia contra a Federal Energy Regulatory Commission (FERC) em uma tentativa de manter o gasoduto fora de suas terras. Os advogados das freiras defendem que a decisão da FERC em localizar nessas terras tal construção não é “ética para as profundas crenças religiosas e as convicções das Adoradoras”.

As Adoradoras, uma congregação composta por 2.000 freiras em todo o mundo, fizeram da proteção ambiental sua missão mais prioritária. O plano do gasoduto “vai contra tudo o que acreditamos. Acreditamos no sustento de toda a criação”, disse a irmã de 74 anos, Linda Fischer, ao Washington Post.

O gasoduto Atlantic Sunrise, de 183 milhas de longitude, está “planejado para fornecer gás natural suficiente para suprir as necessidades diárias de mais de 7 milhões de lares estadunidenses, conectando regiões produtoras no nordeste da Pensilvânia com mercados dos estados do Médio Atlântico e do sudeste”, apontam em sua página web.

Trata-se de uma extensão do gasoduto Transco, que percorre mais de 10.000 milhas, do Texas a Nova York, e transportará gás extraído da região de xisto de Marcelo, já que o fracking foi permitido pelo estado.

Williams, a empresa que constrói o gasoduto, quer pagar aos proprietários locais para que permitam escavar suas terras, instalar a construção e devolver a terra ao seu lugar. Também ofereceu uma compensação pelas plantações perdidas e inspeções regulares para comprovar se o gasoduto afeta o rendimento agrícola.

Por bem ou por mal

Cerca de 30 proprietários que se negaram a aceitar um acordo com Williams enfrentam, agora, a obrigação de ter que acatar uma ordem da FERC.

O plano é que uma parte da imensa tubulação subterrânea passe por uma parte da terra das Adoradoras, no município de West Hempfield, no condado de Lancaster, que atualmente está arrendada a um agricultor local.

Em princípios deste mês, as freiras consagraram uma capela improvisada ao ar livre no local, com a presença de 300 pessoas. A capela conta com somente alguns bancos de madeira e uma cobertura, totalmente cercada por campos de milho.

“Realmente, só queríamos simbolizar o que há ali. É terra sagrada”, disse a irmã Janet McCann. Se os tribunais decidirem contra as freiras, um grupo de ativistas locais se comprometeu a organizar uma vigília contínua na capela.

No ano 2005, as freiras – cuja congregação foi fundada em 1834 – adotaram uma “ética da terra”, sustentando a santidade da criação. Esta diz que a terra é um “santuário na qual se protege toda a vida” e que deve ser protegida para as futuras gerações.

Os advogados deste grupo de freiras declararam ao tribunal que as crenças religiosas das freiras incluem “educar e abordar temas importantes sobre justiça social e ambiental, como a pobreza, as guerras, o racismo e o aquecimento global que divide a humanidade de uma maneira na qual as Adoradoras não acreditam que reflita sua esperança para o Reino de Deus”.

Sua convicção de que a terra é parte da criação de Deus “obriga as Adoradoras a exercer suas crenças religiosas, entre outras coisas, cuidando e protegendo a terra que possuem, assim como educando ativamente e participando em assuntos relacionados ao meio ambiente, entre os quais se incluem o atual e futuro impacto sobre a terra causado pelo aquecimento global, como resultado do uso de combustíveis fósseis”.

Fonte: A reportagem é de Harriet Sherwood, publicada por Rebelión, 25/07/2017. A tradução é do Cepat. Publicado pelo Instituto Humanitas.

Foto de capa: breezy42/Flickr/Creative Commons