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Meditação da semana: A Mãe Terra e o cuidado

Meditação da semana: A Mãe Terra e o cuidado
24 de Abril de 2018 CEBI Comunicação
Planeta perde 33 mil hectares de terra fértil por dia
Leia reflexão de Marcelo Barros para esta semana:

No calendário da ONU, o dia 22 de abril é o Dia Internacional da Mãe Terra. Esse dia foi criado para recordar a urgência de um cuidado maior com o planeta, “nossa casa comum”. De fato, no ano 2000, a Carta da Terra nos fazia essa advertência:

“Estamos num momento crítico da história da Terra, na qual a humanidade deve escolher o seu futuro…A escolha nossa é: ou formamos uma aliança global para cuidar da Terra e cuidarmos uns dos outros ou arriscamos nossa própria destruição e a da diversidade da vida”(Preâmbulo).

Essa mesma proposta, o papa Francisco retoma em sua carta sobre o cuidado com a Terra.

Atualmente, no mundo inteiro, os grupos comprometidos com o futuro da humanidade e os movimentos sociais estão de acordo: a sustentabilidade da vida e do planeta devem ocupar o primeiro lugar em nossas preocupações e compromissos sociais. E esse cuidado com a Terra não pode acontecer apenas porque se a Terra se tornar inabitável, a primeira vítima dessa tragédia seremos nós mesmos, seres humanos. É claro que não podemos ser indiferentes a essa constatação. No entanto, eticamente, a Terra e a natureza têm direitos à sua integridade e a vocação humana é sermos os jardineiros da criação e não seus assassinos.

No Brasil em que vivemos, conforme o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, que monitora a devastação da floresta, em 2017, o desmatamento na Amazônia cresceu quase 30%. É o pior resultado desde 2008. Pará, Rondônia e Mato Grosso foram os estados que mais desmataram. Todos os biomas brasileiros correm risco sérios de não cumprirem mais o seu papel de úteros da vida e das águas. Isso afeta o clima em todo o planeta, ameaça a renovação das águas e põe em risco toda a vida no planeta. O conhecido biólogo Edward O. Wilson escreve: Num grama de terra ou seja, em menos de um punhado, vivem cerca de dez bilhões de bactérias pertencentes até a seis mil espécies diferentes”.

A Terra é Mãe fecunda.

No entanto, cientistas de todo o mundo confirmam: esse modelo de desenvolvimento depredador de tal forma destrói a natureza que a Terra ultrapassou em 40% sua capacidade de reposição dos recursos necessários para as demandas humanas. Neste momento, mesmo se não nos damos conta disso, estamos esgotando o sistema de vida na Terra mais do que ela é capaz de renová-lo. As consequências disso já são desastrosas, mas, como adverte a Carta da Terra, em breve, podem ser fatais. Na encíclica Laudato sii, o papa propõe como saída para esse impasse uma aliança da humanidade pela vida. Concretamente, sugere que essa aliança seja motivada e conduzida por uma unidade das religiões e tradições espirituais em defesa da Terra.

De fato, desde os tempos mais antigos, as culturas e religiões sempre têm testemunhado a crença na Terra como Grande Mãe, Magna Mater, Inana e Pachamama. Os povos originários de ontem e de hoje tinham e têm clara consciência de que a Terra é geradora de todos os viventes. Somente um ser vivo pode produzir vida em suas mais diferentes formas. A Terra é, pois, nossa Mãe universal. Embora ela não seja um ser vivo como nós ou como os animais, ela se constitui como uma espécie de organismo vivo que respira e é capaz de sentir o nosso amor. Hoje, cada vez mais a própria Ciência se detém admirada ao perceber o mistério que encerra a vida no planeta. De acordo com as descobertas e conclusões da Ciência, o planeta Terra existe há 4, 4 bilhões de anos.

Num momento avançado de sua evolução, de sua complexidade e de sua auto-organização, começou a sentir, a pensar e a amar. Foi quando emergiu o ser humano. Em seu discurso à assembleia geral da ONU (2009), Leonardo Boff afirmou:

“Com razão nas línguas ocidentais homo/homem vem de húmus, terra fecunda. E em hebraico Adam se deriva de adamah, terra cultivável. Por isso, o ser humano é a própria Terra que anda, que sente, que pensa e que ama, como dizia o poeta indígena e cantador argentino Atahualpa Yupanqui”.

Durante séculos e séculos, em todo o mundo, prevaleceu essa visão da Terra como Mãe cuidadosa da Vida. Ela começou a desaparecer com o surgimento do que se chamou “espírito científico” no século XVI e com o desenvolvimento do sistema capitalista. A partir de então, a Terra começou a ser considerada como uma realidade sem espírito, mero reservatório de recursos naturais, disponíveis para a acumulação e o consumo humano. Tornou-se apenas uma mercadoria, entregue ao ser humano para ser submetida, mesmo com violência.

Neste novo paradigma não se coloca a questão dos limites de suporte do sistema-Terra nem dos bens e serviços naturais não renováveis. Pressupunha-se que os recursos seriam infinitos e que poderíamos ir crescendo ilimitadamente na direção do futuro. O que efetivamente é uma grande ilusão. Estamos agora sofrendo as consequências dessa visão mercantil. É urgente mudarmos o nosso modo de ver a Terra. É preciso retomarmos nossos sentimentos mais profundos: cultivar a compaixão e os sonhos que nos inspiram ações salvadoras. Nossa missão, no conjunto dos seres, é a de ser os guardiães e cuidadores desta sagrada herança que recebemos do universo: a Terra, nossa Mãe.

Conforme a Bíblia, a ressurreição de Jesus inaugurou uma renovação de toda a criação. Ela é salva e resgatada como a humanidade. Quem crê é convidado/a a olhar a Terra com tudo o que ela contém como um grande corpo cósmico de Deus a nos abrigar e acolher em seu regaço maternal.

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