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Nota sobre o julgamento de Lula

Nota sobre o julgamento de Lula
23 de Janeiro de 2018 Centro de Estudos Bíblicos
imagem de capa: ex-presidente Lula
Leia a nota oficial do CEBI acerca do julgamento de Lula.

O Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos – CEBI – manifesta sua palavra neste momento em que se institui o julgamento em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, previsto para o dia 24 de Janeiro de 2018.

Em sintonia com setores da sociedade comprometidos com a Cidadania, a Democracia e o Estado de Direito, o CEBI não faz uma leitura ingênua, segundo a qual o Partido dos Trabalhadores e até mesmo Lula não tenham cometido inúmeros erros. A entidade também reafirma sua posição contrária a todas as formas de corrupção, fenômeno social, político, econômico e jurídico que enfraquece a governabilidade e a garantia dos direitos inalienáveis para a vida humana digna e plena. Por último, segue defendendo uma reforma política ampla e profunda, que inclua:

a) o fortalecimento da democracia direta e da democracia participativa e o aprimoramento da democracia representativa;
b) a democratização da informação e da comunicação;
c) a democratização e a transparência do poder judiciário.

No entanto, sabedor do movimento reacionário, liderado pelo grande capital e defendido pelas elites, que acelera a perda de direitos econômicos, sociais, culturais e trabalhistas do povo brasileiro, o CEBI reitera o que vem sendo denunciado:

  1. Tal como ocorreu no afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República, esse processo condenatório político vem marcado por fragilidades, ausência de provas e ações contrapostas à Justiça e ao Direito, ao passo que outras pessoas com provas claras de corrupção foram absolvidas ou não tiveram seguimento em seus processos.
  2. É evidente a parcialidade dos julgadores, que atuam com base em interesses políticos e econômicos, tentando impedir, inclusive, a livre manifestação de organizações e movimentos sociais, “criminalizando” as lutas populares.
  3. Foi construído um julgamento midiático, uma vez que as grandes redes de comunicação social usaram e (ab)usaram das informações, tornando-se “juízes-fantasmas”, a determinar a “sentença dada” (inclusive por meio de espetáculos televisivos, como no caso do Julgamento PowerPoint).

Que se exerça de fato a justiça, sendo assegurados, inclusive, os direitos e ampla defesa. Continuemos a dizer NÃO a qualquer processo que se baseia em falácias e barganhas políticas.

Da Bíblia nos vem a palavra profética de Amós que, no VIII século a.C. condenou a injustiça da justiça praticada na “porta” da cidade. Da profecia de Amós, não há como esquecer Jesus de Nazaré e seu enfrentamento ao tribunal que politicamente o condenou à cruz.

Nossa bandeira de luta é para que prevaleça a Justiça com a Ética em nossos tribunais e, consequentemente, “o direito brote como água e a justiça corre como torrente que não seca” (Am 5,24), de modo que haja vida plena, digna e justa em nossa sociedade.

A Direção Nacional do CEBI